O BE apresentou um projeto de lei para a nacionalização da maioria do capital da PT. 

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«A situação em que se encontra a PT constitui um dos principais problemas políticos e económicos do país. A contínua desvalorização é um gravíssimo problema. No último ano, perdeu 70% do seu valor e, hoje, uma ação da PT vale pouco mais que o que vulgarmente se paga por uma bica», lamentou o coordenador bloquista João Semedo, em conferência de imprensa, no Parlamento.

Ações da PT continuam esta terça-feira em forte queda

Segundo o deputado do BE, «esta contínua desvalorização da PT é meio caminho andado para a sua venda e mais de meio caminho andado para a sua destruição como empresa estratégica para o país» e, portanto, «é necessário travar este declínio».

«Registamos que o Governo não tem tido a intervenção necessária sobre este assunto. O ministro da Economia, Pires de lima, limita-se a ajustar contas antigas, pessoais, com os antigos gestores da PT, ao mesmo tempo que o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, presidente do mesmo partido, recebe, reúne, negoceia com um fundo especulativo francês, um dos interessados na compra da PT», criticou.

Para Semedo, «só nacionalizando a maioria da PT é possível defender os 12.0000 postos de trabalho» e «os custos serão certamente bastante inferiores aos custos de nada fazer».

Por outro lado, o dirigente bloquista salientou que a empresa «distribuiu aos acionistas, desde 2000, 12 mil milhões de euros em dividendos e, de 2006 para cá, nove mil milhões de euros, sobretudo aos acionistas que conseguiram derrotar a OPA da Sonae». «Sabemos quem são: o BES».

A deputada do BE Mariana Mortágua explicou que é possível recorrer ao «regime jurídico da apropriação pública», para o Estado português obter «50% dos votos mais um», devendo haver uma avaliação independente para estipular um valor.

PCP faz uma recomendação ao Governo

O PCP também apresentou um projeto de resolução para «travar a liquidação da PT» e «defender o interesse nacional», recomendando ao Governo a «urgente suspensão de qualquer negócio da titularidade» da empresa, designadamente através do Novo Banco.

«Pela mão de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, a PT, a primeira empresa portuguesa, foi e está a ser conduzida à destruição. Portugal pode perder assim a principal empresa de um sector estratégico para o país, milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, assumida a vanguarda tecnológica e da qual dependem centenas de PME», argumenta-se no texto.

O grupo parlamentar comunista defende a «urgente suspensão de qualquer negócio da titularidade da PT, inclusive tendo como referência a posição do Novo Banco» e o «estabelecimento de negociações com o Governo Brasileiro relativamente à evolução da composição acionista PT/Oi».

Os deputados do PCP avançaram ainda com a ideia da criação de um grupo de trabalho, no Ministério da Economia, para «acompanhar toda a evolução da situação» e «criar condições à defesa da PT como grande empresa nacional de telecomunicações, sob controlo público».