O grupo do PSD na Assembleia Municipal do Porto considerou hoje que o presidente da Câmara «faz um barulho que não se justifica» sobre a distribuição de fundos comunitários para 2014-2020, assunto que estará em discussão na segunda-feira.

«Há um reforço claro das verbas para o Programa Operacional Norte», disse o coordenador do grupo social-democrata na Assembleia Municipal do Porto, Luís Artur, em declarações à agência Lusa antes de o assunto ser discutido na segunda-feira naquele órgão autárquico.

Luís Artur ressalvou que «a região Norte foi claramente desfavorecida nos últimos anos» no que respeita aos fundos comentários, «porque nunca houve uma política regional» mas considerou que desta vez há «um reforço de 700 milhões de euros» face ao último Quadro Comunitário de Apoio (QCA).

«Esta região pode vir a ter um dos melhores Quadros Comunitários de Apoio de sempre, se o souber aproveitar», reforçou.

O social-democrata pergunta se Rui Moreira pretende continuar a «mandar bocas ou se está interessado em sentar-se à mesa com os outros parceiros e negociar» com eles projetos para o Porto, «procurando convencê-los de que vão beneficiar a cidade e a região».

O Bloco de Esquerda (BE) foi o partido que solicitou que os próximos fundos comunitários fizessem parte da ordem de trabalhos da Assembleia Municipal do Porto, embora o PSD tenha tentado, em vão, discutir a questão na sessão anterior.

Rui Moreira colocou a questão no centro das atenções mediáticas exprimindo, por mais do que uma vez, a sua preocupação com a distribuição regional desses fundos e o BE entende que a Assembleia Municipal deve «tomar posição» sobre a matéria.

Os bloquistas tencionam apresentar, por isso, «uma moção» na qual propõem que se deve «inverter o rumo que tem marcado a aplicação dos fundos comunitários, em que o Porto e o Norte têm sido prejudicados», explicou à Lusa José Castro.

O deputado bloquista referiu que a região recebeu «mais de 3.000 milhões de euros entre 1997 e 2007 e apesar disso não houve criação de riqueza», o que em sua opinião «tem muito a ver com a centralização da distribuição dos fundos».

«Isso mostra como é necessária regionalização», concluiu José Castro.

O mesmo deputado defende que «o município deve ser um interveniente na definição das áreas onde os fundos serão aplicados».

O PS é de opinião que, «realmente, o Governo não se tem portado bem» nesta matéria, porque «não tem discutido com as autarquias, as regiões e o Porto».

«Achamos que a Câmara do Porto e Rui Moreira têm razão», disse Gustavo Pimenta, do PS, concordando com a ideia de que a Assembleia deve tomar «uma posição formal» crítica face ao Governo.

A CDU realça que o importante é saber «para que serve o dinheiro e em que vai ser gasto».

«Ficamos todos contentes se houver quem nos contradiga, garantindo que o Norte não vai ser prejudicado», afirmou, por sua vez, o coordenador do grupo municipal afeto a Rui Moreira, André Noronha.