Entre as diversas reações à decisão do Governo decidida em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, o presidente da Câmara do Porto considera que se "tomou a decisão certa", ao candidatar a cidade do Porto para acolher a sede da Agência Europeia de Medicamento.

Queria dar nota da minha satisfação por ter valido a pena levantar a voz. Queria saudar o Governo, o senhor primeiro-ministro e o ministro da Saúde, que souberam em tempo olhar para o argumentário da cidade do Porto", disse Rui Moreira.

O presidente e recandidato à Câmara do Porto disse ainda que tem "tudo preparado para apresentar uma candidatura forte", lembrando, no entanto, que "nada está ganho".

Temos de preparar uma grande candidatura. Temos cidades concorrentes muito fortes", disse o autarca.

"Capazes de esgrimir os argumentos certos"

Atual vereador, concorrente socialista à câmara do Porto e líder da federação distrital do PS/Porto, Manuel Pizarro também se congratulou hoje com a escolha de candidatar o Porto para acolher a sede da Agência do Medicamento (EMA, na sigla em Inglês) afirmando que “é bom para o Porto, para o Norte mas sobretudo para o país”.

Entendo que fomos capazes de esgrimir os argumentos certos, isto é, o Porto tem não apenas todas as condições para acolher a futura sede da Agência Europeia do medicamento", como está “inserido numa região cujo rendimento per capita é inferior ao rendimento médio da União Europeia (UE)”, o que significa que “está em melhores condições para ser uma candidatura vencedora por parte do país”, frisou.

O também vereador do PS na Câmara do Porto rejeitou a ideia de que esta tenha sido uma vitória sua, referindo tratar-se de "uma grande vitória do Porto”.

Sempre que o Porto ultrapassa as fronteiras das divergências e é capaz de se unir e mobilizar o melhor da sociedade portuense, o Porto é capaz de vencer”, vincou.

Contudo, ressalvou, “este é apenas o início do percurso”, porque “agora há que fazer uma grande candidatura nacional, há que manter e reforçar esse envolvimento para” que a cidade seja vencedora, “numa luta legítima na qual se opõem ao Porto cidades maiores que o Porto, de países maiores que Portugal”.

PSD lamenta “enorme perda de tempo”

Por seu turno, o candidato da coligação PSD/PPM à Câmara do Porto, Álvaro Almeida, saudou a escolha da cidade para a candidatura à sede da Agência Europeia do Medicamento, mas lamentou a “enorme perda de tempo” causada pelo Governo.

As razões que justificam esta escolha são inequívocas e são essencialmente as apontadas desde o início pelo nosso candidato. A atitude inicial do Executivo significa apenas uma vez mais que o tique centralista do Estado continua bem vivo e que a unidade demonstrada na defesa da solução agora apontada é o caminho para futuro”, refere em comunicado, a coligação “Porto Autêntico”.

Lamentando que o “Governo tenha esquecido o Porto como candidatura óbvia desde o primeiro momento” a coligação PSD/PPM "coloca-se desde já à disposição do coordenador da candidatura para colaborar em tudo que esteja ao nosso alcance e insta a todos os portuenses para fazerem o mesmo para reforçar as probabilidades de sucesso desta a sua difícil tarefa”.

BE recusa "aproveitamentos"

Também o Bloco de Esquerda (BE) se congratulou pela escolha do Porto como cidade candidata a receber a sede da Agência Europeia do Medicamento e avisou que "agora é tempo de cessarem os aproveitamentos" desta matéria como "arma de arremesso eleitoral".

Em comunicado, o BE, pela voz do seu candidato à Câmara Municipal do Porto, João Teixeira Lopes, exortou ainda que Governo e a autarquia portuense a promoverem uma "ampla mobilização da cidade na candidatura, envolvendo os atores e as instituições do Porto".

É agora tempo de cessarem os aproveitamentos políticos numa matéria tão importante para a cidade", lamentando os bloquistas "que Rui Moreira e Manuel Pizarro tenham usado a candidatura da cidade como arma de arremesso eleitoral", salienta o comunicado.

Decisão "acertada e inteligente"

Autarca de Santa Maria da Feira e presidente do Conselho Metropolitano do Porto, Emídio Sousa, também louvou a "decisão inteligente" tomada pelo Governo.

Fico extremamente contente por o Governo ter recuado na sua escolha inicial [por Lisboa] e tomar agora esta decisão acertada e inteligente, que demonstra que valeu a pena a Área Metropolitana do Porto se ter envolvido no processo e manifestado a vontade dos autarcas da região", declarou Emídio Sousa à agência Lusa.

Para o autarca, "agora é preciso que todos se empenhem no sucesso da candidatura, para concretizarmos a conquista de um equipamento que pode revelar-se de grande importância para o desenvolvimento da Área Metropolitana e da própria região Norte - que é uma das mais pobres da União Europeia e, com isto, pode ter a oportunidade de dar um grande salto em termos de crescimento", realçou.

Esta agência europeia é um dos serviços que verdadeiramente pode contribuir para o desenvolvimento da região, pelo que representa de empregabilidade qualificada e atividades de valor acrescentado", acrescentou Emídio Sousa.

A candidatura em que o Governo português propõe o Porto como futura sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA na sigla inglesa, em referência a European Medicines Agency) deve-se à decisão de retirar essa estrutura a Londres, na sequência da saída do Reino Unido da União Europeia.

A decisão final, entre as cidades europeias concorrentes, deverá ser tomada em outubro.