O vice-primeiro-ministro disse, na sexta-feira à noite, que o PS "não vai, evidentemente, ganhar as próximas eleições legislativas", porque os portugueses sabem quem trouxe a troika e quem, por outro lado, protege a recuperação económica.

Paulo Portas considerou que existe no seio do PS um ambiente de vitória, mas talvez estejam enganados porque em Portugal não há Frente Nacional (partido político francês de extrema-direita), não há Podemos (partido político espanhol de extrema-esquerda) e não há Syriza (primeiro-ministro grego).

“O risco com o PS no Governo é voltar a ter o Fundo Monetário Internacional [FMI] em Portugal, não para depender dele como parceiro, mas como devedor e, isso, não é bom”, afirmou durante a sessão de comemoração dos 40 anos do CDS-PP, em Vila Real.

O vice-primeiro-ministro frisou que Portugal saiu dos “cuidados intensivos” e está a caminhar pelo seu próprio pé, com o aumento do investimento e exportações e melhoria do emprego, mas só vai continuar a melhorar se os portugueses não puserem “tudo em causa” voltando às políticas de 2011.

Nas próximas eleições legislativas "o que está em causa é por um lado as garantias, por outro as promessas", frisou.

“A proposta da maioria é credível pelo facto de podermos ir eliminando a sobretaxa do IRS e ir repondo os salários da administração pública, porque deixamos o défice abaixo de 3% e a dívida com controlo”, realçou.

Paulo Portas pediu “cuidado” com a “demagogia” do PS, quando aquele partido afirma que elimina a sobretaxa do IRS mais depressa e repõem os salários com maior celeridade.

“Esquecem-se que põem o défice acima do nível a partir do qual há sanções e não controlam a dívida porque a colocam dez pontos acima da nossa proposta”, salientou.

Segundo o governante, o líder do PS, António Costa, dispara o défice e a dívida com uma mão, mas com a outra diz que resolve tudo mais depressa.

“Se ele não controla a despesa com uma mão, não pode fazer o que anda a dizer que vai fazer com a outra mão”, declarou, acrescentando que "o PS repõe tanta coisa ao mesmo tempo que, qualquer dia, repõe a 'troika'".

Na sua opinião, o PS está a dar sinais “errados e perigosos” aos investidores, porque está a pôr “tudo em causa” num país em recuperação

“Apelo não à memória do PS, mas ao seu sentido de responsabilidade”, destacou.