
Por: Paula Oliveira | 26- 5- 2011 22: 1
Notícia actualizada às 2h21
Um manifestante foi detido esta quinta-feira na Pontinha, em Faro, após o comício
de José Sócrates. Ao que o tvi24.pt pôde apurar no local, a detenção ocorreu depois do homem se ter recusado a identificar
perante agentes da PSP.
O manifestante - Sérgio Pinto Gaspar, que momentos antes nos tinha prestado declarações
- protestou junto da polícia e foi encostado de forma violenta a uma parede por dois agentes à paisana. Estes levaram-no pelos
braços para a esquadra, enquanto o detido esperneava e gritava «Fascistas». O homem, na casa dos 20, 30 anos, gritava também
que não sabia por que razão estava a ser detido.
Durante o percurso de cerca de 50 metros, entre a Pontinha e a
esquadra, vários jornalistas testemunharam a cena, que acabou por marcar o final do dia campanha da caravana socialista. Afinal,
aquele era uma das vozes que gritava cá fora «Passos, Passos» quando do recinto do comício se ouviam vivas ao PS e à vitória
de José Sócrates.
Quando os agentes da polícia entraram na esquadra com o detido a espernear, fecharam a porta aos
jornalistas, que foram assim impedidos de solicitar qualquer esclarecimento no local.
O caso levou o presidente da
Federação do PS Algarve, Miguel Freitas, a convocar uma conferência de imprensa de emergência. «Registaram-se acontecimentos
reprováveis durante o comício do PS. Houve uma dezena de pessoas que se manifestaram e, mais do que isso, interferiram no
comício do PS com provocações e insultos». Questionado sobre se estava a insinuar se estava a fazer alguma acusação ao PSD,
o socialista acabou por desvalorizar a questão, dizendo que tal «não é a parte essencial do que se passou».
«Sou
apoiante de Passos Coelho»
Em declarações ao TVI24.pt antes dos incidentes, Sérgio Pinto Gaspar não se
identificou como fazendo parte de nenhum partido, nem quis dizer-nos de que organização fazia parte. «Sou apoiante de Passos
Coelho», acabou por admitir perante a nossa insistência, tendo de seguida nos pedido para lermos o seu cartaz, escrito à mão,
e segurado também por várias outras pessoas.
No cartaz lia-se o seguinte: «Os mesmos de sempre em banquetes e
com vidas de luxo enquanto o povo aperta o cinto e passa fome! Esta é a vossa política! Basta!!!» Depois de ver que tínhamos
lido, disse apenas: «Manifesto-me contra os políticos do PS».
Vários grupos de manifestantes na rua
O
comício socialista da Pontinha - um clássico na história política do partido - juntou num recinto fechado por bancadas cerca
de mil apoiantes. Quando começaram os discursos, ouviam-se assobios e uma grande confusão no exterior do recinto. Cá fora
encontravam-se dezenas de pessoas e, ao que pudemos apurar, pelos menos três grupos distintos de manifestantes. Havia manifestantes
contra as portagens na A22, familiares de despedidos da Groundfource, e o grupo a que o homem detido fazia parte. Todos com
razões diferentes e um denominador comum: José Sócrates.
Os manifestantes juntaram-se à porta do comício socialista
e lá dentro faziam-se ouvir. Enquanto de lá saíam palavras de apoio a José Sócrates, do lado de fora ouviam-se assobios e
insultos ao primeiro-ministro demissionário que a ética jornalística impede que se reproduzam.
Empurrões, provocações
e injúrias foram trocadas entre socialistas e manifestantes. A situação era de tal maneira tensa que a polícia não conseguiu
controlar a situação, embora tenha identificado antes todos - ou a maioria - dos manifestantes, solicitando-lhes para se afastarem
150 metros do local do comício e dizendo tratar-se de uma manifestação ilegal porque não estava autorizada pelo Governo Civil.
Ciente
da «confusão» e com a tensão instalada no local, José Sócrates saiu a alta velocidade, momentos depois do final do comício.
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