Paulo Portas encerrou, esta sexta-feira, o debate do «estado da nação, na Assembleia da República, mas a sua intervenção foi alvo de polémica. O Ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que «todas as situações complexas têm solução desde que cada um faça a sua parte» e assumiu que se inspirou em Sá Carneiro e Adriano Moreira para voltar ao executivo após pedir demissão.

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O PEV criticou o executivo por escolher Paulo Portas para a intervenção final e, por isso, não se sujeitar «ao contraditório» da oposição, num «momento muito particular» da vida política.

E já após intervenção do Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi a vez do Bloco de Esquerda intervir e protestar por considerar «uma falta de respeito ao país e ao Parlamento», ter sido um ministro «demissionário» a encerrar o debate. Pediu, depois, ao Primeiro-ministro para esclarecer a situação.

Passos Coelho acabou por intervir: «Desejava informar a câmara, do que já tinha informado o país, que não tinha aceite a demissão do senhor ministro Paulo Portas».

O incidente parlamentar não se concluiu sem que a deputada do PS Isabel Moreira, que é constitucionalista, tivesse dito que quem tem competência para aceitar demissões de ministros é o Presidente da República, tendo o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, contraposto que o chefe de Estado exonera os membros do Governo mas é ao primeiro-ministro quem compete aceitar ou não a demissão.

Primeiro «o país»

Numa clara referência à sua demissão, Paulo Portas explicou que «ultrapassou» as divergências que o levaram à atitude extrema de pedir para sair do Governo, ao inspirar-se em dois «líderes invulgares».

Com Sá Carneiro aprendeu uma grelha de avaliação: primeiro o país, depois o partido e, só depois, o pessoal. Já com Adriano Moreira, Portas diz que aprendeu o valor do institucionalismo e que a sua defesa não obriga a ignorar a consciência dos homens.

«Prefiro pagar um preço de reputação nas vossas intervenção, a não fazer o que devo e o que posso pelas instituições», defendeu.

Paulo Portas lembrou ainda que a maioria entregou uma solução estável ao Presidente da República e que a moção de censura, anunciada pelo PEV, vai provar a sua estabilidade e confiança.

O líder do CDS disse ainda que sempre defendeu o diálogo político e devido à situação de exceção vivida por Portugal.

Portas elogiou também a contenção dos líderes dos principais partidos, porque «ninguém cedeu à tentação de colocar condições impossíveis» para o diálogo. «Esse diálogo pode e tem de começar» afirmou defendo, depois, que «o excesso de crispação politica não resolve o problema dos portugueses».

Para o Ministro, o mais importante é a conquista da «liberdade» do protetorado em que o país atualmente se encontra, após o pedido de resgate financeiro. «É mais importante a reconquista da independência, do quem gere a dependências», disse, mostrando de forma clara o que pensa de eleições no imediato.

Apesar de reconhecer o caminho difícil feito até agora pelos portugueses, Paulo Portas também ressalvou o sinal positivo que a economia está a revelar de forma discreta e que, apesar «de ser apenas um sinal, que pode fazer a diferença, não seja um sinal interrompido».

As últimas palavras da sua intervenção foram «vamos fazer esse esforço».