O ex-primeiro ministro José Sócrates considerou este sábado, em Belmonte, que as diferentes formas de assinalar a Revolução também fazem a grandeza do 25 de Abril.

«Acho que comemorámos o 25 de Abril em ação, com a democracia em ação, não com a democracia parada e suspensa contemplativa a olhar para si própria. Não, comemorámos na discordância, na polémica, na dissidência. Acho que foi uma boa forma de comemorar Abril», vincou.

José Sócrates falava em declarações aos jornalistas no final da sessão solene das comemorações do município de Belmonte, durante a qual foi distinguido com a «Chave do Castelo» como «reconhecimento pelo trabalho em prol do desenvolvimento local e regional».

O ex-primeiro ministro fez ainda questão de recordar a importância desta data, não só para Portugal como para o mundo e sublinhou que a Revolução dos Cravos foi a «revolução que iniciou um movimento de democracias em todo o mundo».

Durante a intervenção, José Sócrates defendeu ainda que não serão necessárias ações de protesto ou novas revoluções por parte do povo, devendo antes esperar-se pelas eleições nas quais «o povo vai falar».

«E o povo costuma falar com clareza nas eleições. Eu já passei por muitas eleições, já ganhei muitas eleições, já perdi muitas eleições e uma coisa aprendi é que o povo fala sempre com alguma sabedoria. Nós somos sempre capazes de encontrar as boas razões para o povo decidir como decide, mesmo quando decide contra nós», apontou.

No final, e falando aos jornalistas ainda sobre o 25 de Abril, Sócrates classificou como «um pouco vulgar» a metáfora usada na sexta-feira pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando afirmou que a «democracia e a liberdade têm de ser regadas todos os dias».

«Eu acho que o mais importante no espaço púbico é também que os governantes e os protagonistas políticos se exprimam com qualidade e com vocabulário político à altura das circunstâncias (...), enfim é uma metáfora um bocadinho para o vulgar, mas pronto, se ele quis dizer que a democracia precisa de ser exercitada todos os dias, acho que tem razão. Não me custa nada concordar com o primeiro-ministro aí», afirmou.

Questionado sobre o discurso do Presidente da República nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, José Sócrates escusou-se a fazer comentários.