Para António José Seguro, o PS não teve melhor resultado nas eleições Europeias, onde obteve 31% dos votos, porque os portugueses ainda tinham bem presente os erros de seis anos de governação de José Sócrates.

A jornalista Judite Sousa perguntou ao secretário-geral do PS se a vitória do partido nas eleições foi um resultado positivo, tendo em conta que o país estava há três anos a sofrer medidas de austeridade? Uma liderança forte e afirmativa não teria necessidade de resultados mais expressivos?

António José Seguro começou por considerar que os resultados nas eleições Europeias não foram melhores porque «a maior parte da população portuguesa está descontente com a forma de se fazer política em Portugal» e remeteu, de seguida, culpas para o passado recente de governação socialista. «Não conseguimos canalizar o descontentamento e a desilusão porque muita gente olha para o PS como responsável pela situação a que se chegou, nomeadamente nos últimos anos da governação socialista. E nós não podemos meter a cabeça na areia, temos de assumir essa responsabilidade», argumentou.

Seguro também acabou por desculpar o resultado do PS nas Europeias com o que aconteceu no resto da Europa, mas a jornalista Judite Sousa quis saber por que não usou Seguro antes o argumento Sócrates para, afinal, justificar os 31% dos votos dos eleitores no PS contra os 27% no PSD e CDS, ou seja, uma diferença escassa. «Não conseguimos mudar o passado e a minha responsabilidade não é discutir o passado», declarou, esclarecendo também que durante os últimos três anos foi «muito provocado» para as «questiúnculas do partido». E o que fez? «Anulei-me sempre para privilegiar o país», justificou.

António Costa, que é apoiado por muitos históricos do PS e também por José Sócrates, aproveitou esta parte do debate para assumir que também criticou algumas políticas do Governo de Sócrates, mas concluindo que «um dos erros que a atual direção do PS teve foi não ter resolvido o passado».

«Critiquei várias vezes o anterior Governo do PS sobre alguns erros que foram cometidos. Um erro que foi cometido, por exemplo, o PS utilizou aquele período da maioria absoluta como auto-suficiência e não aproveitou para dinamizar o diálogo político (...), como cometeu outro erro que foi subestimar a importância de haver acordos alargados relativamente a problemas de infraestruturas, que compromete o país para várias décadas».

Para António Costa, que acusou a direção de Seguro de nem sempre se demarcar também o suficiente do Governo de Passos Coelho, «o PS foi penalizado nas Europeias porque não afirmou um discurso alternativo: queremos mais tempo, vamos mais devagar, queremos só meia dose», ironizou. Seguro tentou afastar-se dessa ideia trazendo à memória que António Costa, que era «número dois no partido» e que nunca disse nada contra o memorando de entendimento com a troika, no Orçamento do Estado de 2009. Mais: acusou-o de dizer publicamente que o no Orçamento do Estado de 2012 o PS devia abster-se para criar condições de governabilidade quando na Comissão Política do partido defendeu que os socialistas deviam votar contra o documento orçamental. António Costa recusou a ideia de contrariedade, mas seguro voltou à carga: «Uma das coisas que os portugueses rejeitam são os políticos que dizem uma coisa em público e outra coisa em privado».

O debate AO MINUTO

*Com Carmen Fialho, Aline Raimundo, Manuela Micael, Sofia Santana e Verónica Ferreira