PSD, PS e CDS-PP anunciaram hoje ter abordado «de modo detalhado» os três pilares do acordo «de salvação nacional» proposto pelo Presidente da República, numa reunião em que participou o ministro adjunto e um observador de Belém.

Este anúncio foi feito através de comunicados, de igual conteúdo, divulgados pelos três partidos sensivelmente à mesma hora, que refere que nesta reunião «o diálogo interpartidário prosseguiu», na presença do assessor da Presidência da República David Justino, «como observador, para assegurar um conhecimento regular ao senhor Presidente da República», Cavaco Silva.

«Na reunião abordaram-se, de modo detalhado, os três pilares apresentados pelo senhor Presidente da Republica, tendo sido identificadas as questões fundamentais com vista à obtenção de um 'compromisso de salvação nacional' com a máxima brevidade», lê-se nos três comunicados.

Segundo as notas divulgadas pelos três partidos, na reunião, Miguel Poiares Maduro [ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional] e Carlos Moedas [secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro] fizeram parte da delegação do PSD, liderada pelo Jorge Moreira da Silva.

A delegação do PS, liderada pelo dirigente Alberto Martins, integrou Eurico Brilhante Dias e Óscar Gaspar.

Por sua vez, a equipa do CDS-PP, chefiada pelo dirigente centrista Pedro Mota Soares [ministro da Solidariedade e da Segurança Social], contou também com Miguel Morais Leitão [secretário de Estado adjunto e dos Assuntos Europeus].

O encontro entre PSD, PS e CDS-PP decorreu na sede dos socialistas, no Largo do Rato, em Lisboa, confirmou a agência Lusa junto de duas das partes deste processo.

Na quarta-feira, o Presidente da República fez uma comunicação ao país, na qual propôs um acordo de médio prazo entre PSD, CDS-PP e PS, assente em "três pilares".

Segundo o Presidente da República, em primeiro lugar, o acordo entre PSD, PS e CDS-PP «terá de estabelecer o calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas» e «a abertura do processo conducente à realização de eleições deve coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira», prevista para junho de 2014.

Em segundo lugar, deve assegurar o apoio às medidas necessárias para que o Estado português regresse ao financiamento nos mercados no início de 2014 e para que se complete «com sucesso» o referido programa de resgate a Portugal que esses três partidos subscreveram em 2011.

O chefe de Estado pretende, em terceiro lugar, que esse acordo tripartido, a que chamou «compromisso de salvação nacional», inclua um comprometimento «entre os três partidos que assegure a governabilidade do país, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego» após as próximas legislativas.

Na sequência dessa proposta, a maioria PSD/CDS-PP expressou disponibilidade para a procura de um acordo com o PS, mas frisou a existência de uma solução governativa estável. Os socialistas, por sua vez, também aceitaram participar, reiterando, contudo, que rejeitam participar ou apoiar qualquer solução de Governo antes de novas eleições.

Foram indicados para liderar as delegações dos respetivos partidos neste processo o vice-presidente do PSD Jorge Moreira da Silva, o dirigente do CDS-PP e ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, e o membro do Secretariado Nacional do PS Alberto Martins.

Segundo comunicados do PSD, PS e CDS-PP divulgados no domingo, de igual conteúdo, o primeiro encontro com vista ao acordo proposto pelo Presidente da República realizou-se nesse dia, não tendo sido divulgado o local.