António José Seguro revelou esta noite, em entrevista na TVI, que o PS não vai virar «as costas ao país» se Portugal precisar de um programa cautelar, mas o líder do PS diz que quer saber quais as medidas aplicadas aos portugueses nessas condições. O secretário-geral dos socialistas insiste que só entrará em consensos no Parlamento, alegando, que não passa «um cheque em branco ao Governo».

«O Partido Socialista não fugirá às suas responsabilidades e se esse problema se colocar e perante aquilo que estiver em cima da mesa, o PS assumirá as suas responsabilidades. Eu não me posso pronunciar sobre o conteúdo de um programa que eu desconheço. Se Portugal precisar de um programa dessa natureza, eu tenho de saber que condições é que são exigidas a Portugal».

O líder do PS admite discutir as condições de um eventual programa cautelar, mas para já recusa voltar à mesma mesa que o Governo na procura de um consenso político a longo prazo, insistindo que a disponibilidade o PS para negociar limita-se ao Parlamento. «O Partido Socialista não faltará a nenhum debate, nem voltará as costas quando está em causa o interesse nacional, agora não nos podem pedir que nós assinemos de branco, ou que assinemos de cruz, nós não assinaremos um cheque em branco. É por isso que eu digo, chega de conversa e o Governo que se chegue à frente e apresente propostas concretas».

Já sobre o guião da Reforma do Estado, Seguro questionou: «Há quanto tempo é que dura esta rábula da reforma do Estado?». O líder do PS defendeu que a apresentação do documento em vésperas do Orçamento do Estado serviu para «desviar as atenções dos portugueses sobre aquilo que era a discussão do Orçamento do Estado».

Sobre os impostos, Seguro considerou que devemos ser prudentes, mas admitiu que deveria de existir um esforço para que «em matéria de IRS possa haver uma diminuição de impostos, começando pela redução ou mesmo eliminação da sobretaxa», defendendo, no entanto, que «qualquer redução de impostos tem de passar pelo crivo da sustentabilidade».

O líder do PS reagiu ao números do desemprego afirmando que não desvaloriza a redução da taxa de desemprego hoje conhecida, mas defendeu que um «político rigoroso não pode olhar apenas para um indicador», salientando ainda que Portugal «voltou a ser um país de emigração».

O líder do PS respondeu ainda às acusações do PSD de ter confundido um «segundo resgate com um programa cautelar» intencionalmente, dizendo que sabe bem a diferença. «Eu não confundo, isso foi uma boa estratégia de comunicação. Eu não confundo regressar a mercados de forma dependente ou de forma independente».

Na questão das eleições antecipadas, Seguro afirmou que «se as eleições fossem a minha prioridade teria feito um acordo em junho [com o PSD e CDS] custasse o que custasse», disse, considerando que já teria sido «vantajoso a realização de eleições» antecipadas, sublinhando que essa continua a ser a posição dos socialistas. O líder do PS assumiu ainda que algumas medidos do Orçamento do Estado vão ser alvo de pedido de fiscalização pelo Tribunal Constitucional. «Naturalmente, medidas que tenham a ver com as questões das pensões. Essa é uma das medidas que pediremos a fiscalização. Há uma parte que está fora do Orçamento [convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações] e outra que está dentro do Orçamento do Estado [pensões de sobrevivência]», especificou.

Por fim, António José Seguro admite que vai pedir maioria absoluta aos portugueses nas próximas eleições. Sobre as polémicas internas do PS, Seguro disse não ter ido à tomada de posse de António Costa por motivos de agenda e à apresentação do livro de José Sócrates por não ter sido convidado.