O primeiro-ministro sublinhou, na entrevista à TVI e à TSF, que um eventual programa cautelar não terá de ser negociado com o PS, conforme os socialistas exigem.

«O programa cautelar, se vier a ser adotado, tem a duração de um ano, portanto cabe no mandato deste Governo. Não há nenhuma razão para que tenha a exigência de ter o apoio do PS», afirmou, frisando que é «um cenário muito diferente de 2011», quando o programa negociado para três anos ia «além do mandato» do Governo de José Sócrates.

Ainda assim, Passos Coelho admite que «é importante que possa existir, sobre o médio e o longo prazo, um entendimento o mais alargado possível entre as principais forças políticas».

«Nunca deixaremos de procurar o envolvimento do PS. Queremos garantir que qualquer programa, se vier a ser concretizado, resulte de um entendimento tão alargado quanto possível», reforçou.

De acordo com o primeiro-ministro, mesmo depois de fechado o programa de ajustamento, Portugal terá «um longo caminho ainda para percorrer para reduzir a dívida pública».

«Isso é um encargo que demorará 10 ou 15 anos a concretizar até atingirmos níveis que nos retirem de uma linha de maior volatilidade dos mercados. Esses anos vão ter de exigir crescimento da economia e entendimentos que nos permitam ter excedentes orçamentais», começou por explicar.

Por isso, «os próximos governos, ao longo de 15 ou 20 anos, poderão escolher as políticas qUE vão desenvolver, mas não podem deixar de manter a despesa dentro de níveis controlados».

«É muito importante que isto possa ser um objetivo comungado com o PS, porque ajuda na confiança dos investidores em Portugal», concluiu.