O vice-primeiro-ministro mostrou-se, esta sexta-feira, confiante de que Portugal concluirá o seu programa de assistência externa como previsto em junho de 2014, declarando em Espanha que o país não quer mais troika. Paulo Portas reafirmou ainda a intenção do Governo de baixar o IRS em 2015.

«Não queremos nem mais tempo, nem mais dinheiro, nem mais troika presente em Portugal, mais do que o necessário. Queremos terminar o programa em junho de 2014 e acredito que o conseguiremos», disse num fórum de empresários em Madrid.

Portas: portugueses são pragmáticos e não «querem estragar tudo»

Portas admitiu que «a troika é sempre algo de vexatório» e que por isso o executivo quer «recuperar a soberania», sempre «apostando na credibilidade, em cumprir e em não mais ter que repetir esta situação de dependência exterior».

Considerando que estas são «lições aprendidas tanto em défice como em dívida», Portas afirmou que a Europa «aprendeu e progrediu» na sua atitude relativamente à dívida soberana. «Tentar ganhar as próximas eleições fazendo pagar a divida as próximas gerações», segundo o vice-primeiro-ministro, «não é boa forma de governar, deixando dívidas para quem ainda não nasceu».

«Isso é uma lição muito séria», disse.

Paulo Portas falava em Madrid perante centenas de empresários e responsáveis de empresas espanholas e multinacionais, no Fórum de Alumni da IE Business School, onde foi o convidado principal.

Num discurso otimista, Portas referiu-se à melhoria registada nos últimos meses nos dados macroeconómicos portugueses, como a queda do desemprego e a saída do país da recessão técnica.

«Fizemos um trajeto de dois anos e meio muito duros, cortando o gasto, reduzindo onde se gasta dinheiro ineficazmente», afirmou.

Depois de «mais de mil dias de recessão técnica», que Portas disse ter sido «inevitável» devido à crise financeira, Portas destacou o facto de Portugal ter voltado a crescer.

«Foram mais de mil dias muito duros. Eu diria que os portugueses os viveram com dignidade e com responsabilidade, fazendo esforços e sacrifícios», afirmou.

Além do crescimento económico, que recordou ser maior do que a média da zona euro, Portas referiu-se à queda do desemprego no último semestre e «aos melhores indicadores turísticos de sempre».

Igualmente a merecer destaque, disse, é a crescente internacionalização da economia nacional, com o setor exterior a representar 40% do PIB (quando antes era de 29%). «A situação económica começa a mudar. O ciclo económico começa a mudar», declarou.

Portas admitiu que falta «recuperar muito» no capítulo do investimento, algo que requer um imposto de sociedades «competitivo» para investidores internacionais.

«Gostaríamos de cortar 10 pontos mas não o podemos fazer. Estamos à procura de um acordo com o principal partido da oposição para reduzir 2,5% por ano nos próximos quatro anos. Isso transformará o imposto de sociedades num dos mais competitivos da Europa e isso é um fator importante para atrair investimento», disse.

Portas referiu-se ainda ao trabalho do executivo no conjunto de reformas levadas a cabo nos últimos dois anos, com destaque para a redução da burocracia.