O secretário-geral do PCP previu esta quarta-feira que o Governo esteja a prolongar o anúncio de mais medidas de austeridade para depois das eleições europeias para ter «voto arrecadado, fatura apresentada», no debate quinzenal com o primeiro-ministro, no Parlamento.

«Num acerto combinado com a troika, o relatório da 12ª avaliação, de abril, só será conhecido em junho. Ou seja, até 25 de maio, dia das eleições, vamos assistir aos sucessos, sinais positivos, boas novas. Em junho, virá a fatura. Voto arrecadado, fatura apresentada, já prevista, mas não dita explicitamente», afirmou Jerónimo de Sousa.

Passos Coelho rejeitou tratar-se de uma manobra eleitoralista e assegurou que as «linhas de força do Orçamento do Estado para 2015 (OE2015) serão conhecidas» em abril.

«Temos sempre dito que esse esforço é para prosseguir. Convida-me a anunciar essas medidas antes das eleições europeias. O deputado António José Seguro (líder do PS) tentou dizer a mesma coisa por outra via. Devem estar mais preocupados com as eleições do que o Governo. Devem estar a confundir com outro Governo que apresentou um OE vários meses depois de eleições legislativas para não ter trabalhos», declarou o líder do executivo da maioria PSD/CDS-PP.

O deputado comunista citou Passos Coelho no recente 35º Congresso do PSD quando considerou que o líder social-democrata «teorizou sobre a pancada que dói mais - as que já foram dadas ou as que vêm a seguir».

«Em que ficamos? Caminho do sucesso ou ameaça velada de mais pancada?", inquiriu o líder comunista, acusando o primeiro-ministro de não ter "preocupação por estar sempre a carregar sobre os mesmos do costume», enquanto «três senhores viram aumentadas as suas fortunas devido ao aumento dos dividendos», referindo-se aos portugueses na lista de milionários da revista norte-americana Forbes.

Passos Coelho prometeu apresentar o OE2015, «nos termos da Constituição, até 15 de outubro, na Assembleia da República».

«Admito que, talvez para alguns deputados, tão respeitadores da Constituição, fosse preferível que o Governo o apresentasse até abril para ver se o PCP ou outros partidos ganhavam uns votinhos. O Governo tem o compromisso de apresentar o documento de estratégia orçamental (DEO) à Comissão Europeia até final de abril e o essencial das linhas de força do OE2015 têm de lá estar contidas», cita a Lusa.