O PCP acusa uma junta de Penafiel de liderar uma «despensa social», que implica «exploração laboral», mas a autarquia explica que a «troca de alimentos por pequenos serviços» não é obrigatória e «dá dignidade às pessoas».

Os comunistas criticam a despensa social, inaugurada no sábado, em Paço de Sousa, acusando a autarquia local de estar a atribuir créditos aos aderentes pelo trabalho efetuado ao serviço da junta de freguesia. Esses créditos, lê-se num comunicado do PCP, são depois trocados por alimentos da despensa social.

O presidente da junta, Arlindo Sousa, em declarações à Lusa, confirmou, esta quarta-feira, haver pessoas carenciadas que, no âmbito deste projeto, já estão a receber alimentos em troca de pequenos serviços. «Estou muito satisfeito com este projeto, porque as pessoas estão a levar para casa o fruto do seu trabalho», disse, acrescentando que que se trata de «um trabalho voluntário, que não passa de pequenos serviços, sem quaisquer horários», defendeu.

«É uma forma de dar dignidade às pessoas que precisam», considerou ainda.

Contudo, para os comunistas, trata-se de um «aproveitamento oportunista do flagelo social do desemprego e das situações de carência das famílias».

O PCP diz considerar «inadmissível que seja o próprio Estado, através da Junta de Freguesia de Paço de Sousa, a implementar um regime de trabalho em troca de comida».

Sobre estas críticas, o presidente disse estar «magoado», garantindo que o PCP está a deturpar a natureza do projeto.

«Aqui ninguém é obrigado a trabalhar em troca de alimentos», frisou, adiantando que há pessoas que estão a beneficiar da despensa social e que não têm efetuado qualquer serviço para a junta. Acrescentou haver outras pessoas, como tratoristas, jardineiros e enfermeiros que, não precisando de alimentos, se têm disponibilizado para aderirem ao banco de horas, doando os seus créditos de alimentos a quem mais precisa.

Arlindo Sousa explicou que os alimentos da despensa social são oferecidos por comerciantes que aderiram ao projeto. Segundo o autarca, são os comerciantes que encaminham as pessoas carenciadas para a despensa.

«Essas pessoas só fazem os tais pequenos trabalhos se quiserem», esclareceu o presidente da junta.