O primeiro-ministro já embracou para Berlim, onde se desloca esta quarta-feira para participar numa conferência europeia sobre emprego, mantendo assim o compromisso assumido, apesar do caos que se instalou no Governo português nos últimos dias, com a demissão dos ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros.

A viagem de Pedro Passos Coelho ocorre no mesmo dia em que é esperada a demissão dos outros dois ministros do CDS, Assunção Cristas, responsável pelas pastas da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, e Pedro Mota Soares, com a pasta da Solidariedade e Segurança Social.

Na sua comunicação ao país, na noite de terça-feira, em que anunciou que não pretende demitir-se, o chefe do Executivo justificou a manutenção do compromisso com a necessidade de preservar a credibilidade e confiança internacionais de Portugal.

A TVI sabe que Passos Coelho embarcou no voo da manhã para Berlim, tal como prometera.

Em Berlim, onde estará por pouco mais de cinco horas, Passos Coelho irá cruzar-se com alguns dos responsáveis das instituições da União Europeia, assim como vários chefes de Estado e de Governo de Estados-membros. Em particular, Passos terá oportunidade de falar com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande.

De acordo com a agenda conhecida, o primeiro-ministro português chegará à conferência sobre o fomento e o emprego jovem ao início da tarde, dando depois uma conferência de imprensa por volta das 16:30 horas em Portugal. A crise política em Portugal deverá ser um dos temas abordados, que nos contactos com os responsáveis políticos europeus, quer na conferência de imprensa.

A conferência sobre emprego jovem surgiu de uma iniciativa política dos governos francês e alemão, ambos alarmados com as elevadas taxas de desemprego entre os jovens da União Europeia.

Um primeiro passo concreto para a concretização desta estratégia franco-alemã foi dado na última cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, na qual foi aprovado um programa de combate ao desemprego jovem que envolverá seis mil milhões de euros, verba que será aplicada em 2014 e 2015 e que poderá aumentar a médio prazo para os oito mil milhões de euros.

Neste programa, Portugal deverá receber cerca de 150 milhões de euros, montante que se junta a outros 150 milhões de euros já existentes no âmbito da iniciativa Impulso Jovem".

Sobre estas iniciativas de âmbito nacional e europeu para a promoção do emprego jovem, Pedro Passos Coelho defendeu que não é por falta de financiamento que programas como o Impulso Jovem estão aquém das expectativas, considerando que é necessário que haja interesse das empresas em adotá-los.

O primeiro-ministro sustentou depois que é necessário que as empresas vejam «interesse nestes programas» para poderem adotá-los, interesse que disse depender de dois fatores: Existência de uma «melhor perspetiva de financiamento» e confiança nos «resultados da política económica e, portanto, na recuperação da economia».

[Peça atualizada às 9:50 horas com informação do embarque de Passos Coelho]