O primeiro-ministro apelou, esta quarta-feira, à moderação na forma como são expressas as opiniões sobre a situação na Ucrânia. Pedro Passos Coelho defendeu a necessidade de assegurar a independência do país, a liberdade dos cidadãos e «a estabilidade mundial e europeia».

«Nós respeitamos os Estados que são independentes e desejamos que o seu caminho de reconciliação nacional, um caminho de pluralismo democrático possa ser prosseguido», afirmou o primeiro-ministro durante o debate quinzenal, em resposta a uma pergunta do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a propósito do conselho europeu extraordinário que se realiza quinta-feira em Bruxelas.

De acordo com a Lusa, Passos Coelho revelou preocupação com o que se está a passar na Ucrânia, que já implicou «violações do direito internacional». O primeiro-ministro defendeu a necessidade de assegurar a independência do país, «a liberdade de todos os seus cidadãos, mas também a estabilidade mundial e europeia».

«Esse apelo é um apelo de mediação e de moderação na forma como cada um deve expressar as suas opiniões sobre esta matéria é um apelo que fazemos a todos os nossos parceiros europeus, mas também a todas as instituições internacionais», salientou o primeiro-ministro.

Antes, das bancadas do PSD e do CDS-PP, o primeiro-ministro tinha ouvido essencialmente apelos ao consenso com a oposição, em particular com o PS.

«Em nome do esforço dos portugueses, do caminho percorrido, daquilo que conseguimos fazer, das 11 avaliações que passámos, queria em nome da bancada do CDS apelar ao Governo e ao senhor primeiro-ministro, para que possa promover consensos com o maior partido da oposição em matérias estruturantes para o país», disse o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães.

Admitindo que é impossível, e até «mau para a democracia», maioria e oposição concordarem em tudo, Nuno Magalhães pediu para que todos façam um esforço «em nome dos sacrifícios dos portugueses».

Pelo PSD, o líder da bancada Luís Montenegro começou a intervenção do debate quinzenal com «um lamento democrático» em relação à forma «zangada» com que o PS reagiu à conclusão da 11ª e penúltima avaliação do programa de ajustamento.

«Não se compreende que PS se apresente zangado por portugueses estarem a cumprir a palavra dada por um Governo socialista», disse Luís Montenegro.

Tal como antes tinha feito o líder parlamentar do parceiro de coligação, Luís Montenegro repetiu os apelos ao consenso, sublinhando que as divergências políticas não são incompatíveis com assumir compromissos.

«Estamos disponíveis nesta bancada e nesta maioria, gostaríamos muito que, em especial, o PS não ficasse nesta posição de isolamento, quase de orgulhosamente sós, que infelizmente tem uma dimensão interna, que prejudica o interesse nacional, mas que tem também uma dimensão externa, porque também na Europa o PS está cada vez mais isolado», afirmou.

«Não se trata de dar a mão ao Governo, trata-se de dar a mão ao país, porque é isso que o país exige de nós», corroborou o primeiro-ministro, repetindo os insistentes apelos ao diálogo com o PS.