A quarta reunião entre o PSD, CDS-PP e PS terminou sem conclusões ao fim de mais de seis horas de negociações.

No final, um comunicado indicava apenas que «as delegações dos três partidos decidiram interromper os trabalhos, que serão retomados amanhã[quinta-feira]», mas sem indicação de local nem hora.

Esta tarde, o PS queixava-se que PSD e CDS-PP estavam «intransigentes» nos cortes de 4,7 mil milhões da despesa do Estado, dando um sinal de que o desejado acordo por parte do Presidente da República entre os três partidos poderia não vir a concretizar-se.

Mas um sinal contrário foi dado horas depois. Pelas 21:26, as delegações dos partidos decidiram interromper o encontro e retomá-lo uma hora depois. Outro comunicado conjunto dos três partidos reafirmava que «as negociações embora exigentes estão a decorrer sem intransigência e com espírito de abertura».

«As delegações dos três partidos envolvidos nas negociações decidiram interromper os trabalhos de forma a aprofundar o estado dos contributos entregues pelos três partidos. As negociações serão retomadas às 10:30 desta noite. As delegações reafirmam que as negociações, embora exigentes, estão a decorrer sem intransigência e com espírito de abertura», citava o documento.

Esta quarta reunião começou pelas 17:30 e contou com uma delegação do PSD chefiada por Jorge Moreira da Silva, uma delegação do CDS liderada por Pedro Mota Soares e por uma delegação do PS encabeçada por Alberto Martins. David Justino, assessor de Cavaco Silva, esteve presente como observador, à semelhança do que aconteceu nos outros encontros.

O desfecho de todo este processo está previsto para esta quinta ou sexta-feira. O quarto encontro entre os três partidos aconteceu na sede do PSD. Antes, os dois partidos de Governo estiveram reunidos sem o PS.

As negociações estão agora na fase mais dura de debate dos aspetos concretos. O PS não aceita os cortes dos 4,7 mil milhões de euros na despesa pública e a presença da ministra das finanças no encontro de terça-feira foi precisamente para reforçar a necessidade de os fazer.

António José Seguro tem garantido a vários dirigentes socialistas que não assinará algo que contrarie tudo o que vem dizendo. A reunião desta quarta-feira é encarada como decisiva, mas não foi conclusiva.



As instituições europeias esperam um acordo entre os três partidos que apoiaram o memorando de ajuda externa a Portugal. Mas não colocam em cima da mesa uma renegociação total do programa de ajustamento. Para já, o Governo português mostra empenho nas negociações.

Esta quinta-feira é um dia intenso de atividade política. O Parlamento debate a moção de censura dos Verdes. À noite, o PSD reúne o Conselho Nacional e o PS a Comissão Política. Já o Presidente da República passa o dia de quinta-feira nas Selvagens, onde fará declarações aos jornalistas às seis e meia da tarde. Sexta-feira já estará em Lisboa.