O secretário-geral do PS discordou esta sexta-feira da escolha de Carlos Moedas para comissário europeu, considerando que lhe falta peso político, prestígio europeu e que se trata de uma escolha «estritamente partidária».

«Trata-se de uma escolha que só responsabiliza o Governo e o PS discorda desta escolha», afirmou António José Seguro, numa conferência de imprensa realizada na sede do partido, em Lisboa.

Sublinhando que se tratava de uma oportunidade para Portugal escolher uma personalidade com resultados e prestígio europeus e com peso político, o líder socialista lamentou que o perfil de Carlos Moedas não corresponda a nenhum destes items.

«Não se conhece uma ideia, nenhuma ideia, nenhuma proposta nem pensamento sobre questões europeias», sustentou.

O secretário-geral do PS defendeu ainda que existem em Portugal outras personalidades com «provas dadas, peso político e trabalho realizado» na União Europeia, apontando como exemplo a antiga ministra Maria João Rodrigues.

Também o PCP lamentou a opção do Governo por um «rosto da troika» para comissário europeu, lembrando o seu passado profissional em bancos de investimento multinacionais.

«Não deixa de se registar que a escolha tenha recaído num dos principais rostos da política da troika, responsável pela destruição das condições de vida dos portugueses, do saque aos rendimentos de trabalhadores e reformados e o afundamento económico do país», declarou o eurodeputado João Ferreira, na sede comunista de Lisboa.

Segundo o comunista, a eleição de portugueses para aquela instituição «não tem correspondido a qualquer defesa dos interesses do povo português e do direito do país ao desenvolvimento soberano», apontando o exemplo dos «últimos 10 anos, a presidência da Comissão Europeia de Durão Barroso, por duas vezes apoiado por PSD e PS, como sucedeu agora com Juncker».

O BE considerou que a escolha de Carlos Moedas serve para o Governo recompensar «descaradamente» as negociações com a troika que, segundo o partido, instalaram a austeridade em Portugal.

«[Carlos] Moedas foi descaradamente recompensado pelo trabalho que fez na implementação da austeridade em Portugal. Era o representante, o senhor troika em Portugal», disse a deputada do Bloco Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

Para a deputada, Carlos Moedas é «o homem de mão dos interesses financeiros e económicos e da elite económica financeira», tendo esta escolha sido feita pelo presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, «homem aliado com a austeridade e a direita».

A escolha seria sempre «uma continuidade da austeridade», defendeu Catarina Mortágua, relembrando que a presença de Carlos Moedas em Bruxelas não trará «nada de bom ou de diferente» a Portugal, já que este irá seguir a política de austeridade que «destruiu o país».