As «vulnerabilidades» das Forças Armadas (FA) não devem ser discutidas em público disse, este domingo, o ministro da Defesa Nacional após o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea ter afirmado que os cortes estão a degradar a resposta daquele ramo militar.

Da «evolução dos orçamentos atribuídos desde 2010» resulta «uma degradação da resposta» da FA, defendeu o comandante José Pinheiro, pedindo soluções urgentes ao ministro José Pedro Aguiar-Branco.

«Acredito que, tal como referiu recentemente o Chefe de Estado-Maior do Exército e que sei que é a cultura de todos os chefes, que da boa estratégia militar, as vulnerabilidades das forças armadas e em geral da defesa nacional não devem ser ecoadas no palco da discussão pública», defendeu o ministro.

De acordo com a Lusa, Aguiar-Branco salientou que essas fragilidades «são, sim, combatidas diariamente, pelo esforço de uma gestão mais eficiente, pela competente definição de prioridades, pelo rigoroso planeamento da ação e pela indução de reformas que conduzam ao aumento da capacidade operacional num quadro muito exigente na aplicação de recursos públicos».

O governante sublinhou conhecer «as dificuldades que [as Forças Armadas] tiveram que ultrapassar nos últimos dois anos», bem como a exigência e o rigor que lhes foi «exigido num tempo de especiais restrições orçamentais».

Razão pela qual podia, frisou, «evocar as dificuldades encontradas na Defesa Nacional» e a resolução de problemas como os da reposição da nova tabela remuneratória, do descongelamento das promoções ou, ainda recentemente, este mês, da regularização dos descontos para a Assistência na Doença aos Militares».

Problemas, acrescentou o ministro, «com grandes riscos para a coesão da estrutura militar, para a necessária ação de comando e que nos absorveram muito tempo e em alguns casos recursos financeiros».

O ministro da Defesa Nacional explicou ainda que preferia, em dia de aniversário da Força Aérea, «agradecer o contributo» dos militares «para o esforço nacional que está a ser prosseguido pelos portugueses e que nas forças armadas assume a expressão maior do sentido patriótico».

A Força Aérea Portuguesa, que foi constituída como ramo independente das Forças Armadas a 1 de julho de 1952, está a assinalar o aniversário desde sexta-feira com diversas atividades em Leiria, exposições temáticas e de fotografia, uma cerimónia militar e dois concertos pela Banda de Música da Força Aérea.