O debate do Estado da Nação, que tem lugar esta sexta-feira no Parlamento, marca o início de um novo ciclo político? Um balanço do ano com os olhos postos no futuro, depois do Presidente da República não ter aceitado a proposta que Passos lhe levou a Belém.

Tiremos a temperatura à situação política. O verão político está quente e na quarta-feira à noite ficou a queimar, com Cavaco Silva a pedir um «compromisso de salvação nacional» a PSD, CDS e PS e a «recordar que o atual Governo se encontra na plenitude das suas funções».

Ancorados nestas palavras, quiçá, os socialistas querem manter o debate do Estado da Nação para esta sexta-feira. «O PS não vê qualquer razão para que o debate não se realize» , disse Carlos Zorrinho.

Mas, não está tudo da mesma, e a declaração do Presidente da República apanhou todos de surpresa, como se depreende do cancelamento das agendas e da marcação das comissões políticas dos partidos esta quinta-feira.

Passos na Lapa, Portas no Largo do Caldas esta tarde e separados em encontros com Cavaco.E amanhã, ambos no Parlamento? Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros demissionário cuja demissão Passos não aceitou, promovido a vice-primeiro-ministro numa proposta que Cavaco não aprovou nem deu posse, faltou ao Conselho de Ministros . Um ministro da Economia que aparentemente já fazia as malas para abandonar o Executivo e uma ministra das Finanças que fazia contas, no início da semana, de gerir o relacionamento com a troika «lado a lado» com Portas .

Em pouco mais de uma semana, muita coisa mudou, com as suas consequências: a crise política custou ao país 2.650 milhões num só dia e afundou a bolsa .

A coligação governamental é «à prova de bala», garantia Passos Coelho no ano passado. O verão político está quente, já sabemos, ora vamos lá refrescar a memória. O «Governo não está, neste momento, a preparar qualquer aumento de impostos», dizia Passos Coelho a 11 de julho de 2012, no debate do Estado da Nação. >«Não estamos a pôr porcaria na ventoinha e a assustar os portugueses», repetiu o primeiro-ministro, garantindo que «se for necessária» mais austeridade, «na altura própria», o anunciará pessoalmente ao país.

Há um ano, o primeiro-ministro também queria encontrar medidas >«o menos penalizadoras possível» para substituir reposição dos subsídios à função pública, na sequência do chumbo do Tribunal Constitucional a algumas medidas do Orçamento do Estado para 2012. Qual déjà vu, as medidas relativas aos subsídios voltaram a ser contestadas pelos juízes do Palácio Ratton no Orçamento do Estado para 2013 e continuam a alimentar polémicas e discussões, mas «sem dramas».

Já na altura, António José Seguro, afastou as hipóteses de consenso político e perguntou «para quê tanta dor» quando a meta do défice continua comprometida. Um ano depois, a esquerda e a direita continuam à «machadada» e o défice está nos 10 por cento .