O PS disse hoje compreender o protesto dos médicos, que iniciaram nesta terça-feira uma greve de dois dias, e declarou que quem tem feito greve no setor tem sido o Governo, que tem feito cortes e potenciado um «atraso civilizacional».

«O PS compreende a indignação dos profissionais de saúde e quer dar uma palavra àqueles que hoje não fazem greve, como sejam os administrativos, os auxiliares, os enfermeiros, todos os profissionais de saúde que se não fosse o seu esforço diário e a sua abnegação ao serviço público, o serviço público de saúde estaria em muito pior situação», declarou Álvaro Beleza, do Secretariado Nacional socialista, numa intervenção na sede do partido, em Lisboa.

O dirigente do PS, médico de profissão, advertiu que os cortes «que Governo fez em três anos» no setor da saúde «são o dobro do exigido pela troika», e não houve qualquer tipo de «reformas e modernização do sistema de saúde» neste período.

«Aliás, parece que quem tem estado em greve tem sido o Governo, porque é um Governo de reação e não de ação», advogou Álvaro Beleza, que deu como exemplo a notícia do Diário Económico de hoje onde é revelado que o ministro da Saúde vai transferir para os hospitais uma dotação extra de 300 milhões de euros, naquele que poderá ser desde já um «mérito» da greve convocada para estes dois dias.

Os médicos, lembrou ainda o socialista, «têm uma obrigação até histórica», já que «foram também» eles que ajudaram a fundar o Serviço Nacional de Saúde, e é importante que transmitam aos portugueses o que se passa no setor.

«Este caminho é insuportável, é um atraso civilizacional e os portugueses têm de dizer basta», reforçou, dizendo ainda que a nível partidário «todo o PS defende o SNS fundado por [António] Arnaut e tem orgulho nele».

Esta é a segunda greve que o ministro Paulo Macedo enfrenta em dois anos. Ao contrário da greve de 2012, a atual paralisação não tem a participação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que, no dia em que foi anunciada esta forma de luta, explicou que não aderia.

PSD afirma que protesto está «fortemente politizado»

O deputado do PSD Miguel Santos considerou que a greve dos médicos é extemporânea e está «fortemente politizada» pela Federação Nacional dos Médicos e pelo bastonário, que acusou de prosseguirem agendas políticas alheias aos interesses dos doentes.

Independentemente da adesão que venha a ter, o deputado do PSD considerou que a greve dos médicos «é extemporânea e poderia ter sido perfeitamente evitada», sublinhando que acontece num momento «em que existe um diálogo com o ministério da Saúde».

«Na nossa perspetiva a greve está fortemente politizada por parte da Federação Nacional dos Médicos, afeta à CGTP, e por parte do bastonário dos Médicos que estão a prosseguir uma agenda política própria que não é em defesa e não é a bem dos doentes e dos portugueses», defendeu o deputado, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.

Miguel Santos destacou algumas medidas do atual governo para o setor nos últimos três anos, frisando que foram lançados concursos públicos e admitidos no SNS «para cima de 1500 novos médicos» para os quadros e lançados concursos de progressão na carreira dos médicos.

Miguel Santos acrescentou que o SNS pagou mais de dois mil milhões de euros de dívidas acumuladas que eram um «constrangimento sério» ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.

«Seria perfeitamente evitável esta greve neste momento e a consequência direta, apesar de existirem hospitais a funcionar de forma adequada, os doentes do SNS que tinham consultas e cirurgias programas, poderão ser prejudicadas por esta greve», disse o deputado.