O Presidente da República considerou, esta terça-feira, que as próximas eleições europeias vão testar a capacidade de mobilização dos cidadãos para o projeto europeu, numa altura em que há 26 milhões de desempregados.



«O ano que vem aí é das eleições para o Parlamento Europeu, que se vão processar num quadro muito particular, em que vai ser posta à prova a capacidade, de mobilizar os cidadãos para apoiarem o projeto da União Europeia com a qual nós nos identificamos», declarou Aníbal Cavaco Silva, na receção de cumprimentos de Ano Novo dos Embaixadores de Portugal acreditados junto de vários estados e organizações internacionais.



Essa mobilização «não vai ser uma tarefa fácil principalmente quando existem 26 milhões de desempregados na União Europeia, onde são muitas as vozes que consideram que a União Europeia não está a conseguir dar resposta às preocupações dos cidadãos», considerou o Chefe de Estado, citado pela Lusa.



No Palácio de Belém, Cavaco Silva recordou que «todos» têm de «estar bem alerta» para o ato eleitoral de maio próximo.



Num «ano muito decisivo» para Portugal, Cavaco Silva disse contar com o esforço dos diplomatas para «minorar os riscos que possam surgir nesta caminhada, para consolidar a recuperação da economia» do país e para «acelerar o combate ao desemprego».



Na intervenção, o chefe de Estado lembrou 2013 como um «ano difícil para Portugal» e para a «maioria das famílias portuguesas, que, no entanto, e mais uma vez, demonstraram mais sentido de coragem e de responsabilidade».



O Presidente da República recordou ainda os dados do Instituto Nacional de Estatística sobre o crescimento económico do segundo e terceiro trimestres de 2013, assim como as perspetivas do Banco Central para o 4º trimestre.



«O comércio externo desempenhou um papel importante no crescimento da nossa economia nos meses mais recentes», disse Cavaco Silva. O chefe de Estado destacou o papel da diplomacia económica no apoio à internacionalização de empresas, captação de investimento estrangeiro, promoção das exportações e na captação de turistas.

O excedente na balança de bens e serviços e a capacidade de financiamento para com o exterior traduziu que os empresários «conseguiram ganhar quotas de mercado em vários países, em particular em países fora da União Europeia», afirmou.



«O que nos dá a esperança de que o ano de 2014 seja um ano de algum crescimento económico e de diminuição do desemprego, embora ele continue ainda a situar-se em níveis socialmente que é difícil aceitar, para não dizer que é um drama para muitas famílias portuguesas», referiu.



Outros desafios que se colocam à diplomacia em 2014 são a eleição para o conselho dos direitos humanos, o acompanhamento das negociações entre a União Europeia e os Estados Unidas para uma parceria no investimento e no comércio.