No debate do Estado da Nação esta sexta-feira, numa coisa, Passos e Seguro mostram-se de acordo. As palavras de Cavaco Silva tiveram acolhimento, resta agora saber o entendimento.

Depois do discurso do primeiro-ministro sobre o Estado da Nação, expetativas altas para ouvir António José Seguro, líder do PS, a quem Cavaco Silva apelou a um consenso com o governo e que se reuniu com o chefe de Estado por duas vezes nos últimos dias.

António José Seguro começou por dizer que «não basta ter uma maioria parlamentar para uma estabilidade política, é só uma condição», que o governo PSD/CDS está em «decomposição» e a «prazo», «em funções, mas sem condições».

«Há dois meses disse que nem para cair este governo era competente». A frase de seguro arrancou os primeiros risos na bancada socialista e reiterando que o primeiro-ministro devia «seguir o exemplo do seu ministro das finanças», que reconheceu ter «falhado».

Da demissão de Gaspar, um salto para a demissão «irreversível» de Portas dos Negócios Estrangeiros. Seguro foi corrigido de imediato pela bancada do PS: «irrevogável».

Dirigindo-se a Portas, que «passados dois dias [da demissão], sem explicação ao país, aceita outra pasta: que credibilidade tem o seu governo perante as instituições europeias e a confiança dos investidores e os dois principais ministros o tratam em público desta maneira?», a pergunta de Seguro.

«Hoje não tenho nenhuma pergunta para lhe fazer». Seguro inicia a segunda fase do seu discurso: temos que «olhar para o futuro». A «crise política mina os alicerces da nossa democracia e alastra a todas as instituições e credibilizar a politica e relação de confiança», para dizer que o PS «não se mexe um milímetro que seja da sua posição», mas está disposto a um entendimento com todos os partidos.

«O facto de o PS estar disponível a entrar num processo de diálogo para resolver os graves problemas do país não pode apagar a memória destes dois anos. Compreendo que queira fazer um apagão dos últimos dois anos, mas não permitiremos esse apagão».

Em resposta, Passos disse a Seguro: «Podia ter utilizado melhor o seu tempo com aquilo qye era importante, tinha oportunidade de mostrar ao país que estava preocupado com o país».

«Não passou de trica política», a expressão de Passos mereceu assobios da bancada socialista.

A «crise que vivemos é antiga e profunda e não a que foi aberta pelo pedido de demissão do ministro» Paulo Portas, frisando os excedentes orçamentais e a dívida publica».

«Aquilo que me interessa fazer nesta altura é encontrar uma matéria de facto e substância para o nosso entendimento. Não pode ser para inglês ver».