O Presidente da República insistiu esta sexta-feira na importância de uma cultura de compromisso, considerando que a prevalência das «oscilações erráticas do tempo curto sobre a perspetiva nacional do tempo longo» dificultará uma trajetória sustentável de desenvolvimento.

«Nos dias que vivemos, é natural que os cidadãos, confrontados pelas adversidades do quotidiano, sejam absorvidos pelas exigências imediatas do tempo curto. No entanto, temos de compreender, em definitivo, que existem na sociedade portuguesa desafios que só poderão ser vencidos numa perspetiva temporal alargada e no quadro de uma cultura de compromisso», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na abertura da conferência «Portugal: Rotas de Abril», que decorre na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

«O compromisso não põe termo ao pluralismo ou à liberdade», disse o Presidente.

Contrapondo o «tempo curto» e o «tempo longo», Cavaco Silva reiterou o apelo aos compromissos políticos, insistindo que há um conjunto de reformas no Estado e de orientações políticas estratégicas que devem ser objeto de um entendimento de médio prazo entre as forças partidárias, pois sem esse compromisso e «mantendo-se a prevalência das oscilações erráticas do tempo curto sobre a perspetiva do tempo longo, Portugal muito dificilmente será capaz de assegurar uma trajetória sustentável de desenvolvimento», cita a Lusa.