PS e BE solicitaram a audição do ministro da Educação e Ciência no Parlamento, que já confirmou a presença.

«O PS requereu a sua presença neste plenário, usando para isso a figura regimental adequada, através de um debate de atualidade a ter lugar amanhã [sexta-feira]. Consideramos que seria uma atitude de enorme cobardia política se não participasse nesse debate», afirmou o deputado socialista Carlos Zorrinho, na sua declaração política, no plenário da Assembleia da República.

O PS exige «explicações muito urgentes» por parte daquele responsável ministerial sobre «episódios rocambolescos e o ataque brutal à ciência», referindo-se aos anunciados cortes nas bolsas de investigação, para doutoramentos e outras pós-graduações.

«Estamos perante uma mistura explosiva de obsessão ideológica, incompetência prática e entorses procedimentais que o ministro não pode deixar de explicar aos portugueses», afirmou ainda Zorrinho.

Já o Bloco de Esquerda, por intermédio do deputado Luís Fazenda, anunciou mesmo a apresentação de um pedido potestativo de audição em sede de comissão parlamentar de Nuno Crato, depois de terça-feira essa pretensão ter sido chumbada por social-democratas e democratas-cristãos.

«Este é um plano de cientificídio. O tal novo paradigma, a alternativa é mais desemprego, mais emigração. Estamos a falar de 5.000 pessoas, das mais qualificadas do país, que ficam à margem do progresso. Decidiram fechar as portas da ciência em Portugal. É o paradigma do zero, da nulidade absoluta», lamentou o deputado bloquista, antes de anunciar a iniciativa.

O PCP apontou a «redução de 26 milhões de euros nas verbas da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), referentes ao montante disponível para bolsas», frisando tratar-se de «uma percentagem de não aprovação de 75% no primeiro caso (doutoramentos) e de 65% no segundo (pós-doutoramentos), números inferiores aos de 2002 e de 1999», respetivamente.

«Para que fique bem claro, não é o sistema público de investigação e ciência que tem investigadores a mais. O setor privado é que tem investigação a menos. O novo paradigma anunciado pelo Governo PSD/CDS é subordinar a produção científica e tecnológica ao mercado privado, disponibilizando a investigação e desenvolvimento nacionais aos grupos económicos e financeiros para que potenciem os seus lucros à custa do Sistema Científico e Tecnológico Nacional», declarou a comunista Rita Rato.

A socialista Elza Pais afirmou que «o Governo está a decapitar este capital com o qual nos afirmávamos no Mundo», questionando a maioria sobre «quem tem medo da ciência, da inovação, da qualificação».

O deputado social-democrata Duarte Marques disse que «a ciência e respetivo investimento não são património da esquerda», reiterando ser uma opção legítima do executivo de Passos Coelho e Paulo Portas proceder à «alteração dos instrumentos de investimento, passando das bolsas para os centros de investigação, instituições e projetos específicos», a qual «merece o benefício da dúvida».

A FCT é a entidade que gere e atribui os referidos subsídios para a investigação científica em Portugal. Segundo dados daquela entidade, em 2013, foram atribuídas menos 900 bolsas de doutoramento e menos 444 bolsas de pós doutoramento do que em 2012, uma diminuição total de 1.344.