A fuga de informação sobre os possíveis cortes nas pensões está a gerar mal estar no governo com dois ministros a criticarem abertamente o secretário de Estado da Administração Pública que disse o que «não era para se saber».

Paulo Portas afirmou no Parlamento que foi um «erro» e o ministro Poiares Maduro fala em «ruído» desnecessário.

Para já, a demissão do secretário de Estado não estará a ser ponderada.

Tudo isto acontece por causa de uma reunião informal no ministério das Finanças entre o secretário de Estado da Administração Pública e jornalistas de sete órgãos de comunicação social.

Reconstituímos o encontro em que foi dito o que não era suposto saber-se, co9m a ajuda de André Macedo e António Costa, diretores dos jornais «Dinheiro Vivo» e «Económico».

O encontro teve lugar no ministério das Finanças na quarta-feira. Sete jornalistas de seis jornais generalistas e económicos e da agência Lusa são convidados por um membro do governo para discutir o tema da convergência de pensões.

O encontro é informal. Tem sido assim nas reuniões já habituais que o governo tem promovido com a comunicação social. Já por aqui passaram diretores, editores e jornalistas de televisões, rádios e jornais. O objetivo é conversar, divulgar, perceber a sensibilidade de temas e dados tidos como relevantes para o país.

A informação teve embargo até à meia noite daquele dia e chegou aos jornais na manhã seguinte. A realização do «briefing» foi autorizada pela ministra das Finanças, mas o tom e o teor da conversa apanhou de surpresa quase todo governo.

Pelo ministério das Finanças, em reuniões semelhantes, já passaram vários outros jornalistas, editores, diretores de diferentes órgãos de comunicação social. O objetivo dos encontros é apresentar dados e fornecer informações tidas como relevantes do ponto noticioso. Desta vez foram apenas os jornais.