A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu na sexta-feira à noite que as declarações do Presidente da República quanto ao desconhecimento de novos cortes para funcionários públicos e pensionistas integram «a onda de propaganda à austeridade permanente».

Num comício em Santa Maria da Feira, a propósito do 15.º aniversário do partido, Catarina Martins começou por recordar que Cavaco Silva é «o homem que tem apelado ao consenso para que a austeridade se mantenha, o homem que não sentiu necessidade de mandar o Orçamento do Estado de 2014 para o Tribunal Constitucional - nem sequer o retificativo - e o homem que não vetou os cortes nas pensões».

Em seguida, a dirigente do BE ironizou: «O mesmo Presidente da República que não que se preocupava com nada disto veio hoje dizer que não sabe nada de novos cortes. Ora se o Presidente não ouviu falar disso, estaremos todos sossegados, com certeza».

Em tom mais sério, Catarina Martins afirmou então que o que Cavaco Silva fez foi «um discurso para tentar fazer parte desta onda de propaganda de austeridade permanente, de consenso para a destruição de um país, de consenso para a humilhação de quem vive do seu trabalho e de quem trabalhou toda uma vida».

Referindo que as referências a «sinais positivos» constituem «um novo engano para tentar que as pessoas acreditem» que esta política «possa levar a mais algum lado que não seja só a destruição», a coordenadora do BE questionou: «Se houvesse sinais positivos andava Nuno Crato a cortar mais na Educação e Paulo Macedo a ver onde pode cortar mais na Saúde? Se houvesse sinais positivos estava meio milhão de crianças em Portugal sem abono de família?».

Para Catarina Martins, o Governo pretende apenas «fazer acreditar que há uma coisa acima de todas as outras e que essa são os mercados financeiros».

A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que todo o resto está sujeito a ajustamentos, pelo que haverá que aceitar que a dívida pública não se restruture e que as decisões quanto ao rumo do país sejam tomadas apenas pelo Banco Central Europeu ou pela Comissão Europeia.

A dirigente do BE admitiu que «não é fácil fazer uma reestruturação da dívida».

«Mas, entre ficarmos ajoelhados ou levantarmo-nos para exigir essa reestruturação, para exigir um referendo ao tratado orçamental e para tomar a vida nas nossas mãos, há a diferença entre um caminho difícil em que estamos cada vez pior e um caminho difícil em que estamos a construir o futuro», concluiu.