O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, disse neste domingo que o partido «não tem duas caras» e rejeitou uma convergência com movimentos à esquerda pois tal, diz, seria «dar a mão» para um futuro Governo liderado por António José Seguro (PS).

«Não temos duas caras. Não podemos fazer campanha europeia contra o tratado orçamental e ao mesmo tempo dar a mão a António José Seguro, que foi o primeiro a aprová-lo em Portugal. Isso não é o BE», disse Semedo no segundo e último dia da II Conferência Nacional do partido, que decorre na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O líder do partido, que reparte o comando do Bloco com Catarina Martins, falava sobre uma eventual candidatura conjunta às europeias de maio, entretanto falhada, proposta pelo manifesto 3D e envolvendo também o Partido Livre, com Rui Tavares, e a Renovação Comunista.

«Há na proposta que foi feita, de convergência para as europeias, uma natureza instrumental, porque como os próprios proponentes disseram não era tanto o resultado as eleições europeias que estava em jogo, mas sim o que estava a seguir, as legislativas e a constituição de um Governo», alertou Semedo perante centenas de militantes do partido.

«Como é que podemos rejeitar o tratado orçamental e aceitamos governar com aqueles que foram os primeiros a aprovar o tratado orçamental?», questionou o coordenador, criticando o PS e António José Seguro.

A convergência falhou, portanto, porque houve «questões de identidade e coerência política» que não seriam ultrapassadas, em concreto a questão envolvendo o tratado orçamental europeu.

Na conferência do Bloco foi apresentada a eurodeputada Marisa Matias como cabeça de lista do partido para o Parlamento Europeu, que acontecerá a 25 de maio.