O CDS-PP definiu a solução encontrada pelo Banco de Portugal para o Banco Espírito Santo (BES), envolvendo a criação do Novo Banco, como a «mais aceitável» de entre as opções possíveis.

Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, o dirigente centrista Diogo Feio sublinhou que o regulador tinha três opções para lidar com a situação do BES: a nacionalização, a recapitalização pública e a opção tomada pelo Banco de Portugal.

A nacionalização, diz o CDS-PP, recorrendo ao BPN, «implica que o contribuinte paga o prejuízo», o que «seria um erro grave e profundamente injusto».

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Já a recapitalização pública, diz Diogo Feio, está «hoje em dia muito limitada pelas regras europeias» e «também pode implicar a possibilidade de o Estado participar nos prejuízos».

A medida de resolução anunciada pelo Banco de Portugal, ao invés, «protege todos os depositantes, independentemente do valor dos depósitos, responsabiliza os acionistas, é certo, mas protege a sério os contribuintes».

«Acresce que [a medida] mantém a atividade do banco e dos seus trabalhadores, bem como o crédito à economia», reforçou o membro da comissão política nacional centrista.

«Em síntese, a medida tomada pelo Banco de Portugal é a mais aceitável», concretizou Diogo Feio, que diz entender o «sentido extremamente crítico da sociedade portuguesa face à sucessão de casos no setor financeiro».

O CDS-PP considera, «tendo em conta declarações do Banco de Portugal», que houve no BES «factos graves que reclamam da justiça uma intervenção séria e célere».

O Banco de Portugal anunciou no domingo a injeção de 4,9 mil milhões de euros no BES para o capitalizar, através do Fundo de Resolução bancário, e o fim desta instituição, com a separação do banco fundado pela família Espírito Santo entre um «bad bank» («banco mau»), em que ficam os ativos tóxicos, e o Novo Banco, que reúne os ativos não tóxicos, como os depósitos e que receberá a injeção de 4,9 mil milhões de euros.

O Novo Banco, que será liderado por Vítor Bento, que sucedeu ao líder histórico Ricardo Salgado na presidência do BES, fica com as agências e trabalhadores do BES, sendo que na segunda-feira os balcões abrem ainda com a imagem do BES e os clientes encontrarão lá as caras habituais e os mesmos serviços.

No futuro, com a entrada de investidores privados no capital deste Novo Banco, que para já fica a ser totalmente detido pelo Fundo de Resolução, poderá haver mexidas na instituição, com saída de trabalhadores e fecho de agências.