A eurodeputada Ana Gomes considerou esta terça-feira «inacreditável» que o primeiro-ministro não se demita na sequência da demissão do ministro das Finanças, mas «ainda mais inacreditável» que não seja demitido pelo Presidente da República, o «principal responsável político».

Em declarações à Lusa em Estrasburgo, França, à margem de uma sessão plenária do Parlamento Europeu, a deputada do PS considerou ainda que a substituição de Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque «é mais da mesma política desastrosa», já que a até agora secretária de Estado do Tesouro, que hoje mesmo toma posse como ministra das Finanças, está «fragilizadíssima pelo escândalo dos swaps».

Segundo Ana Gomes, na carta de demissão de Vítor Gaspar divulgada na véspera ¿ ou pelo próprio, «o que seria muito significativo, ou pelo primeiro-ministro, o que também seria significativo», comentou ¿ o até agora ministro «confessa não só que há mais de oito meses que anda a pedir a demissão, como que as suas políticas falharam completamente, e é por não ter condições de credibilidade e confiança por causa desses falhanços que pede agora de novo a demissão».

«Ora, perante essa admissão de falhanço de políticas que todos os cidadãos estão a ver que têm sido um desastre - e não é só por incompetência, é também porque essas políticas estão desenhadas para falhar -, que o primeiro-ministro e o Presidente da República deveriam tirar consequências. Eu acho inacreditável não só que o primeiro-ministro, perante a carta que foi divulgada, não se demita, não tenha a coragem de se demitir, e acho ainda mais inacreditável que o Presidente da República não tenha a coragem de o demitir», disse.

Segundo a eurodeputada, os «principais responsáveis a nível governamental chamam-se Passos Coelho e Paulo Portas», mas, «a nível politico, e para a história, o principal responsável chama-se Aníbal Cavaco Silva».

«Olhando para trás, (e) para o estado de Portugal, só o posso comparar com um presidente como o Américo Tomas», disse, acrescentando que seria uma «injúria¿ para com qualquer dos presidentes da República democraticamente eleitos «comparar a atuação» do atual chefe de Estado com «os anteriores presidentes da República em tempo de democracia».

Segundo Ana Gomes, «o facto de manter este Governo, põe particulares responsabilidades históricas, num sentido extremamente negativo, nas mãos do professor Cavaco Silva».