Desta vez Cavaco não surpreendeu. O Presidente da República anunciou que não irá convocar eleições antecipadas porque acredita que a manuntenção do atual Governo de maioria parlamentar é a «melhor solução» para o país. Cavaco Silva revelou ainda que ia solicitar ao Parlamento uma «moção de confiança», mas deixou o aviso de que «nunca iria abidicar» de nenhum dos seus poderes constitucionais.

«Quero afirmar aos portugueses que, se o atual Governo se mantém em plenitude de funções, o Presidente da República nunca abdicará de nenhum dos poderes que a Constituição lhe atribui», afirmou Cavaco Silva, no final da sua comunicação ao país, numa referência indirecta ao poder de dissolução do Parlamento e à possibilidade de ainda convocar eleições, caso o diálogo entre os dois partidos da coligação volte a ser posto em causa.

Após uma crise política de três semanas, o Presidente da República decidiu manter o Governo em funções, mas nada disse sobre a remodelação governamental já anunciada pelo primeiro-ministro e que prevê que Paulo Portas ascenda a vice-primeiro-ministro.

Nem o Governo nem os partidos da maioria adiantaram qualquer calendário para as mexidas no executivo nem para a data da moção de confiança em que o Governo irá apresentar, segundo Cavaco, «as principais linhas de política económica e social até ao final da legislatura». Em maré de alertas, o Presidente da República apontou ainda uma direcção ao Governo: «aprofundar as medidas de estímulo ao investimento e de captação do investimento externo, onde se incluem a estabilidade e a previsibilidade do sistema fiscal».

O chefe de Estado salientou que «a garantia de governabilidade e o exercício das competências constitucionais de cada órgão de soberania representam o melhor sinal de confiança que devemos transmitir aos portugueses».

O Presidente da República considerou que não tendo sido possível um compromisso de salvação nacional, a melhor alternativa é a continuação em funções do Governo «com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura».

«Na minha comunicação ao país, apresentei, com toda a clareza, as razões pelas quais considero que, no atual contexto de emergência nacional, a convocação de eleições antecipadas não constitui uma solução para os problemas que Portugal enfrenta», afirmou.

«Assim, não tendo sido possível alcançar um compromisso de salvação nacional, considero que a melhor solução alternativa é a continuação em funções do atual Governo, com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura», disse.

Sublinhando a importância de ficar claro aos olhos dos portugueses e dos parceiros europeus que Portugal «é um país governável», Cavaco Silva recomendou um esforço acrescido ao executivo liderado por Pedro Passos Coelho para preservar as «vias de diálogo» que agora se abriram e enfatizou a necessidade dos dois partidos que integram a coligação governamental estarem «sintonizados».

«É essencial que os dois partidos que integram a coligação estejam sintonizados, de forma duradoura e inequívoca, para concluir, com êxito, o programa de assistência financeira e o país regressar aos mercados, por forma a assegurar o normal financiamento do Estado e da economia». E isso, continuou, implica, desde logo, a aprovação e entrada em vigor do Orçamento do Estado em janeiro de 2014.