O Governo e os partidos da maioria foram apanhados de surpresa pelas declarações do presidente da República. Foi uma noite de reuniões e conversas depois de Cavaco Silva ter deixado claro que não aceita a solução apresentada por Passos Coelho e Paulo Portas. PSD, CDS-PP e PS convocaram, por isso, para esta quinta-feira, as respetivas direções.

António José Seguro cancelou a agenda pública que tinha para a noite de hoje e convocou uma reunião extraordinária do secretariado nacional do partido para analisar a situação política a partir das 18 horas.

O primeiro-ministro e presidente do PSD, Passos Coelho, também vai reunir-se esta tarde com a Comissão Permanente Nacional social-democrata, o órgão de direção mais restrito dos sociais-democratas.

O mesmo sucede com o CDS-PP, que igualmente reúne a comissão executiva nesta quinta-feira.

O Governo realizou a habitual reunião de quinta-feira, mas no final do Conselho de Ministros não houve o esperado briefing. E apesar de Cavaco Silva garantir que no meio desta crise política o Executivo de Passos Coelho está na plenitude das suas funções, a verdade é que Paulo Portas, ainda ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros não foi à reunião, tal como aconteceu na semana passada.

Num dia em que o Governo pensava dar posse ao novo executivo, num dia em que Portas passaria a ter o papel reforçado na coligação como vice-primeiro-ministro, a incerteza continua.

O presidente quer um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, CDS e PS, os subscritores do memorando.

Ao que a TVI apurou, os três partidos estão agora também à espera de ouvir o que o chefe de Estado tem para lhes propor, depois de dois anos em que não foram possíveis entendimentos entre a maioria e o PS.

Cavaco Silva já se reuniu com António José Seguro, em Belém. Segue-se Paulo Portas.

A habitual reunião semanal com o primeiro-ministro está prevista para as 18:00.

Para sexta-feira continua marcado o debate sobre o estado da nação, onde o Governo costuma estar em peso e tudo indica que irá realizar-se na mesma apesar da crise política ainda sem fim à vista.