A Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, comunicou esta terça-feira que deixará de trabalhar no seu gabinete o assessor que estava a dar apoio à candidatura autárquica de Almeida Henriques (PSD) em Viseu.

A decisão de Assunção Esteves foi comunicada esta terça-feira num e-mail a que a Lusa teve acesso, dirigido aos líderes parlamentares e aos deputados à Assembleia da República que são candidatos à presidência da autarquia de Viseu, Almeida Henriques (PSD), José Junqueiro (PS) e Hélder Amaral (CDS-PP).

«Tendo notícia de que um assessor por mim contratado estará a dar apoio a uma candidatura autárquica, decidi fazer cessar as suas funções no meu gabinete», afirmou.

«Tenho no meu gabinete pessoas de diferentes origens partidárias e, em tempos normais, refletiria sobre a liberdade particular de alguém exercer a sua cidadania ao lado das suas funções. Mas, em tempo de crise, entendo que não deve haver margem para dúvidas», fundamentou.

O candidato do CDS/PP à Câmara de Viseu, Hélder Amaral, acusou na segunda-feira o seu opositor do PSD, o antigo secretário de Estado Almeida Henriques, de «usar meios do Estado em uso próprio».

«Fico tristíssimo e revoltado por saber que a candidatura do doutor Almeida Henriques usa meios do Estado em uso próprio. Os viseenses têm que tirar daqui as suas conclusões», disse, sem especificar os alegados meios usados.

Contactado pela Agência Lusa, o candidato do PSD, Almeida Henriques, considerou «uma perfeita parvoíce» que se venha dizer em público que utiliza recursos do Estado, nomeadamente os serviços de um assessor do Governo.

«O doutor Jorge Sobrado [que iniciou recentemente funções de assessor no gabinete da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves] trabalhou comigo no meu gabinete enquanto fui secretário de Estado. E enquanto cidadão, a título pessoal e no exercício da sua cidadania, apoia a minha candidatura», esclareceu.

À entrada para a visita a uma herdade do concelho de Viseu, o candidato centrista censurou o modelo da candidatura de Almeida Henriques, que diz ser um modelo de quem se serve da cidade e do Governo.

«Olhem bem para a sua estrutura de campanha, vejam bem quem lá está, para que instituições trabalham e depois olhem para a do CDS/PP. Querem este modelo em que se usem os impostos dos contribuintes para uso próprio?», questionou.