O cabeça de lista socialista às europeias, Francisco Assis, criticou, esta quinta-feira, a «estigmatização» no interior do PS de acordos com partidos à sua direita e defendeu que deveria ter existido maior abertura para a viabilização de orçamentos.

Estas posições de Francisco Assis constam de um artigo publicado na edição de hoje do jornal Público, no qual critica o estilo de oposição nos últimos três anos, defende um posicionamento do seu partido mais ao centro e mais aberto a entendimentos com os partidos do atual Governo, deixando um aviso para o interior do seu partido: «Os portugueses sabem que a austeridade começou connosco.»

«Nos últimos tempos temos assistido a uma incompreensível tentativa de estigmatização pública de todos quantos se não opõem à simples possibilidade teórica da celebração de entendimentos futuros com partidos situados à nossa direita. Compreendo humanamente o impulso juvenil de uns quantos, suscita-me profunda perplexidade o serôdio sectarismo de muitos outros», apontou, antes de deixar uma questão concreta.

«Por que estranha razão haveria o PS de privilegiar entendimentos com partidos com que nunca até hoje se entendeu devido a divergências doutrinárias profundas e haveria de excluir em absoluto acordos com partidos que, mau grado as profundas discordâncias presentes, não se situam em temas tão importantes (como o tema europeu) numa posição absolutamente oposta àquela que preconizamos?», questionou.

No mesmo artigo, Francisco Assis vincou que há três anos foi o primeiro dirigente socialista a defender a opção pela abstenção face à proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2012, sustentando que o fez por estar em causa «a afirmação de uma linha de conduta» do seu partido «que deveria ter marcado toda a presente legislatura».

«Essa opção, a ter sido plenamente prosseguida, teria reforçado a identificação do PS com um elevado sentido de responsabilidade nacional, sem prejudicar a sua capacidade de enunciação concreta de um programa político alternativo. Teria, além disso, permitido a resolução de um problema que se viria a tornar crucial: O do relacionamento com o nosso próprio passado governativo», sustentou.

Ou seja, de acordo com Assis, «só um partido suficientemente forte para assumir o sentido do compromisso teria estado em condições de sustentar, com sucesso, uma explicação sobre as origens da crise distinta daquela que a direita procurou apresentar».

«Por muito que isso desagrade, e até possa ser percebido com um verdadeiro sacrilégio nalguns setores do PS, os portugueses sabem que a austeridade começou connosco. Por isso mesmo, são levados a não acreditar em radicalismos retóricos que parecem mais relevar um impulso mágico do que uma criteriosa avaliação da situação real do país», acrescentou.