O secretário-geral do PCP acusou na sexta-feira o Governo de ser o responsável pelo aumento do risco de pobreza em Portugal, afirmando que Passos Coelho «mentiu» quando disse que «os cortes iriam atingir mais os ricos do que os pobres». Segundo os últimos números do INE, continuou a crescer em 2013, afetando quase dois milhões de portugueses.

«De ano para ano acentua-se o desequilíbrio na distribuição de rendimentos entre os portugueses e o nosso país está cada vez mais desigual e injusto». «Passos Coelho, na sua propaganda do costume, dizia-nos diretamente, na Assembleia da República, que a austeridade e os cortes iriam atingir mais os ricos do que os pobres, mas este inquérito do INE (Instituto Nacional de Estatística) mostra que mentiu»

Para Jerónimo de Sousa, que falava sexta-feira à noite num jantar/comício em Arzila, no distrito de Coimbra, «a política "de exploração e empobrecimento» prosseguida pela coligação PSD/CDS «prejudicou os que menos podem e os que menos têm» e justificava a demissão do Governo.

«O relatório diz que, nos últimos quatro anos, entre 2010 e 2013, a taxa de pobreza agravou-se 45 por cento e cerca de 808 mil portugueses caíram na pobreza, enquanto nos últimos três anos, de 2011 a 2013, período que coincidiu quase na sua totalidade com a intervenção da 'troika', aumentou 30 por cento e cerca de 629 mil portugueses foram atirados para a pobreza», sublinhou.

Segundo os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do INE divulgados sexta-feira, 19,5 por cento das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 face aos 18,7 por cento do ano anterior, apesar de ter existido um aumento dos apoios sociais às situações de doença e incapacidade, família ou desemprego.