O ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, considerou esta quarta-feiraque os números do PIB divulgados também esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) dão sentido aos sacrifícios que os portugueses fizeram nos últimos anos.

Segundo a estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais, hoje divulgada pelo INE, a economia portuguesa cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em termos homólogos e 0,4% face ao trimestre anterior.

"O crescimento económico, de que tivemos a confirmação hoje mesmo, é sustentável, assente num tecido económico mais inovador, mais jovem, com base nos bens e serviços transacionáveis, menos dependente das rendas do Estado e com maior capacidade de exportação. Essa é a principal e muito boa notícia que temos. Dá sentido aos sacrifícios que os portugueses fizeram ao longo destes anos e confirma também que o crescimento económico que estamos a ter é de natureza diferente do passado, é mais sustentável", afirmou o ministro.


Poiares Maduro, que falava à margem da conferência 'Investimento e Inovação', em Oeiras, sublinhou que hoje se constata "um tipo de investimento e de atividade económica diferente".

"Mais de 80% são empresas criadas nos últimos cinco anos, mais de 60% que concorreram ao primeiro concurso dos fundos europeus nunca tinham concorrido. Isso indica bem que também tem existido uma alteração no nosso tecido económico", sustentou.


O ministro indicou ainda que o emprego nas pessoas mais qualificadas não tem deixado de crescer e que o "desafio" é a relação entre o que são as necessidades das empresas e a oferta de qualificação das pessoas que estão desempregadas.

"Não temos de ter receio de afirmar o desafio que isto é para o país. Por isso é que nos fundos europeus há uma aposta muito grande na competitividade, mas também na promoção do emprego. Para vencer esse desafio, temos de ter consciência da natureza estrutural do desemprego, sendo que, por outro lado, a evolução que temos ao nível da qualidade do emprego que está a ser criado, reforça a confiança que a nossa economia é mais forte, mais inovadora e mais potencial de conhecimento", acrescentou.


Poiares Maduro adiantou também que a inovação é uma das áreas que prevê maior apoio no próximo quadro de fundos europeus, admitindo que o risco continua a ser um fator que afasta o investimento.

"O que o Estado pode fazer é o que já está a fazer, através de fundos para recompensar os que têm capacidade de iniciativa, inovação, criatividade e que correm riscos", concluiu o ministro, considerando ainda tratar-se de um problema "cultural", no qual a sociedade não deve penalizar em excesso os que falham porque correm riscos.

Na abertura da conferência, o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Pereira Gonçalves, apontou a inovação como "um dos desafios mais importantes de Portugal", já que, disse, consiste na "transformar conhecimento em dinheiro".

"O desafio da inovação é um desafio de preço. Temos de ter a capacidade para exportar em volume mas também em valor acrescentado ao produto, em preço", sustentou.


Para o secretário de Estado, a estratégia da inovação tem de ser dos empresários e a partilha de risco e financiamento é uma das áreas fundamentais.

Também o presidente da CIP - Confederação Internacional de Portugal, António Saraiva, sublinhou que "o risco é inerente à atividade empresarial".

"Sabemos que, ainda mais numa altura como esta para o país, o risco é o maior inibidor do investimento. Inovar implica sempre risco, por isso deve haver mais apoio", sustentou.


A conferência ‘Inovação e Crescimento’ foi organizada pela Oeiras Invest - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Empresarial de Oeiras, tendo como objetivo dar a conhecer oportunidades à comunidade empresarial, no âmbito dos programas Portugal 2020 e Horizon 2020.