O PS mostrou-se crítico para com a proposta de convergência de pensões, declarando estar do «outro lado» do Governo sobre a matéria, com o PSD a dizer que a medida é essencial para garantir a sustentabilidade do sistema de pensões.

«O PS não alinha nisto. (...) Estaremos do outro lado, que é o lado de todos nós», disse o deputado socialista Vieira da Silva na Assembleia da República, onde foi esta tarde discutida a proposta de lei do executivo para a convergência das pensões do setor público e privado.

Na resposta, o deputado do PSD Carlos Silva disse que a medida tem como intuito «lutar pela sobrevivência e sustentabilidade» do sistema, dizendo que não se pode «enterrar a cabeça na areia» sobre a matéria e acusando o PS de no passado ter congelado pensões.

A proposta de Lei de convergência das pensões da Caixa Geral e Aposentações (CGA) para o regime privado, defendida no Parlamento pelo secretário de Estado Hélder Rosalino, prevê que as pensões de sobrevivência acima de 419,22 euros sofram um corte de cerca de 10%.

Já a totalidade das pensões de sobrevivência, quer sejam do regime público quer sejam do regime privado, vão sofrer um corte sempre que acumuladas com uma outra pensão de reforma ultrapassem os 2.000 euros.

No debate desta tarde no Parlamento, a esquerda centrou as atenções nas críticas ao «assalto aos reformados e pensionistas da administração pública», como caracterizou o deputado do PCP Jorge Machado.

O comunista pediu, ao invés da redução de pensões, cortes nos contratos swap, nas parcerias público-privadas (PPP), em casos com o BPN, BPP ou Banif ou nos «benefícios fiscais da banca e dos grandes grupos económicos».

Já a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Aiveca disse que esta convergência das pensões «não é justa nem justificável», porque «representa um roubo nas pensões a atribuir e, pior que isso, nas pensões já atribuídas».

Também o partido ecologista «Os Verdes», pelo deputado José Luís Ferreira, apontou baterias ao «brutal corte com caráter definitivo e retroativo».

À direita, para além do PSD, também o CDS-PP, pela deputada Cecília Meireles, lembrou a necessidade de aplicar a medida, que, advertiu, «não pode ser entendida fora do contexto do programa de ajustamento» de Portugal com a troika.