O PSD deu esta segunda-feira 24 horas ao Governo para tornar pública a lista nominativa das pessoas que morreram na tragédia de Pedrógão Grande, exigindo que sejam explicados os critérios usados para a sua constituição.

O Governo tem 24 horas para tornar pública a lista nominativa das pessoas que perderam a vida na tragédia de Pedrógão Grande e de esclarecer quais foram os critérios", disse aos jornalistas o líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, em Lisboa.

Questionado sobre o que fará o PSD caso o Governo não responda favoravelmente a este ultimato, Hugo Soares respondeu que o partido vai "esperar pela reação do Governo".

Eu não quero acreditar que o senhor primeiro-ministro e o Governo estão a fazer gestão política da tragédia que assolou Pedrógão Grande", acrescentou.

O líder da bancada parlamentar do PSD foi perentório: "Nós não estamos a dizer que há mais mortos. Nós não queremos acreditar que isso seja possível".

Interrogado se este ultimato significa que o PSD vai apresentar uma moção de censura ao Governo, Hugo Soares escusou-se a responder.

"Não, eu estou a dizer que o PSD deu 24 horas ao Governo para apresentar uma lista nominativa", insistiu.

Sobre a consequência que poderá ter o incumprimento do Governo desta exigência, o deputado social-democrata reiterou que o PSD vai "esperar que o Governo tenha o bom senso, a humildade e a decência democrática de, em 24 horas, apresentar essa lista".

"Eu creio que o país assistiu atónito a essas declarações do senhor primeiro-ministro. Como é que os familiares e amigos das pessoas que perderam a vida na tragédia de Pedrógão Grande podem acrescentar nomes a uma lista que não existe", criticou.

Para Hugo Soares, o primeiro-ministro, António Costa, "esquece-se muitas vezes que é chefe do Governo" e que "não serve só para as horas boas, mas tem que demonstrar autoridade e dar a confiança ao país nos momentos em que o país mais precisa".

Quando o senhor primeiro-ministro diz divulgue-se, informe-se sobre aquela lista, se há ou não há mais pessoas que perderam a vida, a pergunta que todos os portugueses estão a fazer é: mas qual lista?", disse Hugo Soares, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com representantes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do aeroporto de Lisboa.

O primeiro-ministro, António Costa, apelou esta segunda-feira a que quem tenha conhecimento de um maior número de vítimas no incêndio de Pedrógão Grande, em junho, o comunique de imediato à Polícia Judiciária e ao Ministério Público.

António Costa referiu que "não é o Governo que constrói a estatística", indicando que são as "autoridades técnicas" a fornecer os números.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas no final da inauguração do novo centro de contacto do Serviço Nacional de Saúde, tendo sido questionado sobre notícias dos últimos dias que dão conta de mais vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande, Leiria, além das 64 assumidas oficialmente.

Os municípios de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos sugeriram esta segunda-feira a divulgação da lista de vítimas do incêndio de junho para serenar as populações, enquanto o autarca de Pedrógão Grande apelou a que "os boateiros" sejam corridos.

O incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos e só foi dado como extinto uma semana depois.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, segundo as autoridades pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236-1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.