O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou esta quinta-feira em Bruxelas que os sociais-democratas estão "muito disponíveis para discutir as reformas", mas salientou que para tal é necessário que o Governo "ande para trás" na política de as "desfazer".

À entrada para uma reunião do Partido Popular Europeu (PPE), Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre a disponibilidade do seu partido para discutir com o Executivo socialista o programa nacional de reformas e respondeu que o PSD nunca fica de fora de nenhum debate, tendo salientado a "conhecida divergência" em matéria de estratégia económica.

Passos Coelho lembrou, que "durante os anos das dificuldades", o seu Governo nunca contou "com o apoio do PS para vencer nenhuma das dificuldades".

Assegurando que "não há nem nenhum rancor nem nenhum azedume" no PSD, refutando assim as declarações da véspera do primeiro-ministro, António Costa, Pedro Passos Coelho asseverou que o partido até "estaria disponível" para discutir com o Governo socialista "uma segunda geração de reformas", mas para tal seria necessário que o atual Executivo seguisse outra estratégia.

"Nós estamos muito disponíveis para discutir as reformas, mas parece-me muito importante que o Governo ande para trás naquilo que tem vindo a desfazer de reformas anteriores. Desde a área laboral, à educação, à economia, é muito importante que o Governo mude de agulha e mude de estratégia", disse.

O líder do PSD sustentou que "se não mudar de estratégia, então aquilo que [o Governo] vai fazer é continuar a insistir num modelo económico que nem vai atrair investimento, nem vai prosseguir com reformas estruturais, e assim dificilmente terá equilíbrio orçamental, e portanto [será necessário] um esforço adicional para colocar Portugal fora do "vermelho" no que respeita à trajetória da dívida a médio prazo".

O antigo primeiro-ministro insistiu que não se conhece "nesta altura nenhuma intenção de impulso reformista da parte do Governo, antes pelo contrário, [pois] o que o Governo está a fazer é a propor é desfazer no essencial muitas das reformas que foram feitas nos últimos anos" pelo Governo PSD/CDS-PP que liderou.

"Infelizmente, o que estamos a assistir é um filme que já vi, eu pessoalmente já vi e os portugueses possivelmente já viram, que é o de fazer de conta que os problemas não existem, portanto ignorá-los de alguma maneira, e, um bocadinho ‘à boleia’ do esforço que já fizemos nestes anos, o que é preciso agora é aliviar tudo", afirmou, acrescentando que essa é uma "estratégia errada" que levará o país a pagar a prazo "um preço mais elevado", como já se pagou no passado.

"Não tem nada a ver, como vê, nem com azedumes, nem com birras, nem com coisa nenhuma, tem a ver com a leitura que temos dos factos", rematou.

Acordo UE-Turquia permite "ganhar tempo"

O líder do PSD considerou também esta quinta-feira que o acordo entre a União Europeia (UE) e a Turquia, que deverá ser fechado na sexta-feira, permite "ganhar algum tempo" na gestão de crise dos refugiados. Mas o mecanismo necessita ainda de ser aperfeiçoado, salientou.

"O mecanismo permite à UE comprar um pouco de tempo, que tem de ser utilizado para resolver a causa dos problemas", disse Passos Coelho.

O fluxo de migrantes e refugiados tem parte da sua origem "na situação que se vive na Síria, no Iraque".

Passos Coelho salientou ainda, por outro lado, a necessidade de analisar os mecanismos que permitem aos Estados-membros fazer o acolhimento e integração de refugiados "mas também relativamente aos mecanismos internos da política de mobilidade dentro da própria UE".

"É muito importante que pessoas, sobretudo migrantes económicos mas refugiados também, possam ser acolhidos condignamente na Europa", salientou, alertando para a necessidade de serem controladas as fronteiras externas da UE.

Os 28 deverão ser chamados a colaborar, "com todos os meios", com a Grécia, no retorno de migrantes irregulares para a Turquia, segundo o projeto de conclusões do Conselho Europeu, que decorre hoje e na sexta-feira, em Bruxelas.

No contexto do plano de ação conjunto com a Turquia e do seu eventual aprofundamento, no esboço de conclusões indica-se o uso de "todos os meios" no apoio à Grécia, referindo que os países podem colaborar, a curto prazo, com guardas fronteiriços, especialistas em asilo e interpretes.

No documento preparado para a cimeira de chefes de Estado e de Governo, a decorrer até sexta-feira, lê-se a necessidade de uma estratégia global para responder à crise migratória, com tónica no controlo das fronteiras externas.

Com o número de refugiados prontos para serem recolocados a ser superior às vagas oferecidas, os países também devem rapidamente oferecer mais acolhimentos, segundo o documento.