O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira que «se há coisa de que não podem acusar o Governo é de não governar». Pedro Passos Coelho reagiu desta forma à acusação do socialista António Costa de que o Executivo está a fazer oposição à oposição.

O candidato a secretário-geral do PS, António Costa, acusou no sábado o Governo de se concentrar a atacar o PS.

Esta terça-feira, no Porto, o primeiro-ministro foi questionado pelos jornalistas sobre estas declarações, começando por dizer que todos em democracia se têm «de habituar a receber críticas e a não pôr em causa o papel construtivo» que devem desempenhar.

«Se há coisa de que não podem acusar o Governo é de não governar. Pode-se discordar daquilo que o Governo faz mas não se pode dizer que o Governo se furta às suas responsabilidades de governar», respondeu Passos Coelho.

Na opinião do primeiro-ministro, é, no entanto, «natural» que o Governo possa «chamar todos os partidos também para esse diálogo construtivo e democrático». «Eu, que tantas críticas vou recebendo, nunca me queixei de receber críticas nem queixarei», garantiu.

Apesar do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, ter alertado esta terça-feira que criar taxas turísticas, conforme anunciado pelo presidente da Câmara de Lisboa, é arriscar matar a atual «galinha dos ovos de ouro» que é o setor do turismo, Passos Coelho escusou-se a fazer qualquer «observação sobre isso» uma vez que esta é «uma matéria que diz respeito ao município de Lisboa».

«Se o senhor vice-primeiro-ministro já comentou não há necessidade de pedir a opinião do primeiro-ministro sobre essa matéria. Nós temos uma posição, enquanto Governo que foi conhecida sobre essa matéria. Não quero comentar as decisões que respeitam ao município de Lisboa», respondeu, perante a insistência dos jornalistas.

Outro tema sobre o qual o primeiro-ministro se escusou a comentar prendeu-se com conselho do Presidente da República, Cavaco Silva, deixado na segunda-feira para que «alguns políticos» façam «o trabalho de casa» sobre as datas das eleições.

Passos Coelho disse não ter «nenhuma reação em especial» porque todos precisam «de fazer os trabalhos de casa». O chefe do Governo garantiu não ter «por hábito comentar as afirmações públicas» do Chefe de Estado.