Aumenta a tensão na coligação de Governo à volta de uma eventual descida de impostos. O vice-primeiro-ministro Paulo Portas insiste na necessidade de uma moderação fiscal já em 2015, mas o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho frisa que não há margem para facilitismos.

Dentro do Governo a matéria também não é pacífica. Vários ministros, entre eles os do CDS-PP, defendem uma posição contrária à do primeiro-ministro e falam numa redução do IRS.

A ideia de Paulo Portas é recompensar os contribuintes. O vice-primeiro-ministro fala num sinal dado aos portugueses, que passa pela moderação fiscal já em 2015. Mas esta não será uma tarefa fácil. Pela frente, o Executivo tem duas semanas de muito trabalho e discussões para fechar o Orçamento do Estado para 2015. O tema «impostos» não é consensual, mas o CDS-PP não está sozinho. Vários ministros do PSD apoiam uma descida de impostos contra a opinião de Passos Coelho, que já disse ter «dúvidas de que o Governo tenha espaço para fazer uma coisa dessas».

Esta foi a declaração que agravou, ainda mais, o mau estar dentro da coligação. A TVI sabe que Paulo Portas ficou desagradado com a intransigência de Passos Coelho, tanto mais que os ministros têm trabalhado no sentido de encontrar caminhos para a redução do IRS.

Mas do lado do PSD também há críticas: vozes que veem em Paulo Portas um elemento de desagregação do Governo e dizem que o vice-primeiro-ministro está sozinho a fazer refém a coligação.

Até dia 15 de outubro há ainda muito a dizer. Esta é data em que o Orçamento do Estado terá de dar entrada na Assembleia da República.