O ministro do Planeamento e das Infraestruturas vai ser ouvido no Parlamento sobre a proposta do Governo para o Ramal da Lousã, após aprovação de um requerimento do PCP na Comissão de Obras Públicas, foi esta quarta-feira anunciado.

No requerimento, aprovado por unanimidade pela Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas da Assembleia da República, presidida pelo deputado do CDS Helder Amaral, o PCP, “a propósito da solução proposta pelo Governo” para o ramal ferroviário da Lousã e o Sistema de Mobilidade do Mondego, que abrange a área urbana da cidade de Coimbra, solicita que participem também na audição os representantes dos utentes.

Na sexta-feira, na Lousã, distrito de Coimbra, o ministro da tutela, Pedro Marques, expressou “toda a disponibilidade para apresentar o sistema com todo o detalhe” aos deputados.

O PCP anunciou nesse dia que iria chamar o ministro das Infraestruturas ao Parlamento, após ter sido apresentado – em Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra – um sistema de autocarros elétricos, denominado “Metrobus”, em substituição do projeto do metro ligeiro previsto há 21 anos para a zona, que em 2010 ditou o encerramento do Ramal da Lousã, entre Serpins e Coimbra.

Esta solução, segundo os deputados Bruno Dias e Ana Mesquita, contraria frontalmente diversas resoluções da Assembleia da República – com origem em iniciativas do PCP e em petições dinamizadas por movimentos de utentes – que recomendam ao Governo a reposição, modernização e eletrificação do Ramal da Lousã e, portanto, o regresso da ferrovia a estes concelhos, na perspetiva de ligação” à Rede Ferroviária Nacional.

A vontade da população tem vindo a ser expressa em múltiplas ocasiões e defende o regresso da ferrovia à região”, salientam os dois subscritores do requerimento.

Citando uma das resoluções, realçam que “a reposição do serviço ferroviário no Ramal da Lousã tem de merecer a maior prioridade política, por ser um ato de elementar justiça e uma grande necessidade”.

O PCP pretende – e viu a sua iniciativa aprovada pela comissão parlamentar de Obras Públicas – que, além do ministro Pedro Marques, sejam ouvidos o Movimento de Defesa do Ramal da Lousã, do movimento Lousã pelo Ramal e a Comissão de Utentes dos serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).

Na sexta-feira, também o Bloco de Esquerda anunciou que iria chamar o ministro das Infraestruturas ao parlamento, para ser ouvido sobre o Ramal da Lousã, considerando o estudo apresentado pelo Governo “muito aquém” do compromisso do Estado com uma ferrovia de qualidade.

"É um projeto que desrespeita completamente sucessivas resoluções aprovadas na Assembleia da República. E o que vem dizer é que é por razões técnicas que isso acontece. É a técnica que é posta à frente da decisão democrática”, disse na altura o deputado do BE José Manuel Pureza, em Portimão.

"Prestaremos todos os esclarecimentos, como é evidente”, respondeu Pedro Marques, em declarações aos jornalistas, na Lousã.

As resoluções referidas pelo PCP e pelo BE foram aprovadas pelo parlamento, em fevereiro, “numa fase em que ainda estava em curso um conjunto de estudos críticos para a tomada de uma decisão”, disse o governante.

O estudo de mobilidade para o canal do ramal ferroviário e para a cidade de Coimbra com que o Governo se comprometeu em diversas reuniões com os presidentes dos três municípios envolvidos deverá custar 89,3 milhões de euros.