O secretário de Estado Adjunto do ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba, considerou hoje que o défice demográfico do país é «uma situação de emergência», tal como vem sendo a crise financeira dos últimos três anos.

De acordo com Pedro Lomba, «o país reconheceu que tinha um rol de défices consideráveis», como o financeiro, orçamental e em termos de competitividade e crescimento. No entanto, existem outros, a combater futuramente.

«O primeiro é o défice demográfico do país, que é uma situação de emergência como a crise financeira dos últimos três anos. E o interior é vítima desse défice demográfico», sustentou.

Na cerimónia de tomada de posse do Conselho Estratégico para o Desenvolvimento Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, que decorreu ao final da tarde em Viseu, o representante do Governo sublinhou que o défice demográfico não se combate apenas com uma receita.

«É preciso concertar um conjunto de políticas, desde a política social à política migratória, sem a qual não é possível responder a este problema», defendeu.

Ao longo da sua intervenção, Pedro Lomba apontou que Portugal tem também um défice de cooperação territorial, destacando a importância da intermunicipalidade.

«O primeiro responsável deste défice de cooperação territorial é o Estado, por não ter sabido e estimulado as práticas de concertação. Foi o primeiro a expropriar a sociedade civil», acrescentou.

Sobre o novo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) - Portugal 2020 - o secretário de Estado Adjunto do ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional realçou que o Governo tem vindo a fazer um trabalho positivo, ao vê-lo como uma oportunidade de desenvolver o país.

No entanto, defendeu que o país precisa de uma mudança fundamental, promovendo uma nova relação entre o Estado, as empresas e os cidadãos.

«Esta tem de ser uma mudança que aumente a margem de manobra de cada um dos agentes. Se conseguirmos mudar, podemos dizer com clareza que soubemos ter uma nova economia», alegou.

Pedro Lomba fez ainda referência à saída do programa de assistência económica e financeira, que vai fazer com que Portugal recupere «instrumentos fundamentais do Estado moderno».

«Permite também no futuro repor gradualmente um estado de coisas que o período da emergência retirou abruptamente. Não é um regresso ao passado, mas todos juntos iniciamos um ciclo de maior esperança e capacidade de enfrentar o futuro», apontou.

Na sua opinião, será possível iniciar um ciclo mais equilibrado no plano social e económico, mas também de maior equidade territorial.