Jerónimo de Sousa considera que "PSD e CDS não reúnem condições para que Pedro Passos Coelho possa ser indigitado primeiro-ministro" e que, se isso acontecer, será uma "manifesta perda de tempo". O líder do PCP informou o Presidente da República disto mesmo e reafirmou a posição vincada logo após as eleições legislativas: caso a coligação forme governo, os comunistas irão apresentar uma moção de rejeição no Parlamento.

"Informámos o Presidente da República que PSD e CDS não reúnem condições para que Passos Coelho possa ser indigitado como primeiro-ministro e que isso a acontecer será uma manifesta perda de tempo na medida em que não têm condições no plano de relação de forças na Assembleia da República de fazer passar o seu programa." 


O líder dos comunistas disse, à saída do encontro com Cavaco Silva, em Belém, esta quarta-feira, que há uma "nova realidade na Assembleia da República" e que informou o chefe de Estado que há outra "solução governativa" que impede PSD e CDS de formar governo. Uma solução "duradoura" que assenta na "formação de um governo de iniciativa do PS".

"Há uma maioria de deputados que constitui condição bastante para a formação de um Governo de iniciativa do PS que permita a apresentação do programa, a sua entrada em funções e a adoção de uma politica com uma solução duradoura."


A posição do PCP está assim alinhada com a do BE. Catarina Martins também frisou na terça-feira que era uma "perda de tempo" indigitar Passos Coelho pois, se isso se verificar, os bloquistas irão apresentar uma moção de rejeição no Parlamento.

Esta mesma ideia foi repetida pelo Partido Ecologista "Os Verdes". O partido sublinhou, em Belém, após o encontro com o Presidente, que informou Cavaco Silva que indigitar o líder social-democrata é uma "perda de tempo" que só irá "arrastar os problemas do país e dos portugueses no tempo". E garantiram que caso a coligação forme governo irão aprovar todas as moções de rejeição apresentadas no Parlamento.

Já o PAN defendeu a necessidade de um Governo com "estabilidade parlamentar de quatro anos", mas remeteu para o Presidente da República a responsabilidade de escolher a solução mas estável. Sublinhando que o PAN não exclui nenhuma alternativa e está disponível para dialogar com todas as forças políticas, André Silva disse que o seu partido não está na posse de todas as informações e "supostos acordos" e, por isso, o Presidente da República deverá indigitar aquele que "ofereça melhores condições de estabilidade para os próximos quatro anos".

Na terça-feira, António Costa assegurou a Cavaco Silva que tem uma solução governativa, suportada pelo apoio do PCP e do BE

Cavaco Silva termina esta quarta-feira as ronda de audiências aos partidos e anuncia a sua decisão quanto à nomeação do primeiro-ministro.