O líder parlamentar do PS manifestou-se hoje a favor da proposta do Governo de cortar em 15 por cento as subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos, embora admita que a medida possa ter caráter retroativo.

Carlos Zorrinho falava aos jornalistas na Assembleia da República, numa declaração em que frisou que o direito de os titulares de cargos políticos terem uma subvenção vitalícia foi revogado em outubro de 2005 por um Governo do PS.

«Trata-se agora de reduzir as subvenções dos titulares que já tinham adquirido esse direito à data da revogação. Em nome da equidade na repartição dos sacrifícios, obviamente que o PS votará a favor da proposta feita pela maioria [PSD/CDS]», afirmou o presidente cessante do Grupo Parlamentar socialista.

Interrogado sobre a possibilidade de a medida ter um caráter retroativo, Carlos Zorrinho admitiu que «poderá conter um pouco esse princípio».

«Mas é [tomada] num contexto de equidade e também num contexto de defesa da imagem (que é muito importante) da política e dos políticos. O reforço dessa imagem é fundamental para podermos ultrapassar com sucesso o momento difícil que o país vive em consequência das más políticas aplicadas pelo Governo», respondeu o dirigente socialista.

Questionado sobre a ideia do CDS de eliminar totalmente as subvenções vitalícias dos políticos, Carlos Zorrinho salientou que apenas se referiu ao corte de 15 por cento.

"Nós estamos a favor dessa proposta, reafirmando que a revogação das subvenções foi feita por um Governo socialista em 2005", acrescentou.

PCP contra subvenções, mas diz que emblema do Governo é «redução salarial generalizada»

O PCP mostrou-se hoje «obviamente contra» as subvenções vitalícias de antigos titulares de cargos políticos, já que foi o único partido contra a sua criação, mas sublinhou que o emblema do Governo PSD/CDS-PP é a «redução salarial generalizada».

«O PCP está particularmente à vontade relativamente à questão das subvenções dos titulares de cargos políticos porquanto, quando essa medida foi decidida, no início dos anos 80, foi o único partido que se lhe opôs e que nunca concordou com a existência desse tipo de subvenções e que concordou, em 2005, quando foi tomada a decisão de as extinguir», disse o deputado comunista e vice-presidente da Assembleia da República António Filipe.