O PCP culpou o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) por parte do Governo PSD/CDS-PP pelas atuais falhas, citando o exemplo da recente morte de um jovem por aneurisma no Hospital de São José, Lisboa.

Em resposta à declaração política no parlamento do deputado comunista João Ramos, o social-democrata Miguel Santos acusou a bancada do PCP de protagonizar "uma política primitiva", através da "instrumentalização de uma tragédia".

"Está a utilizar a desgraça alheia para, com base em considerações não apuradas, fazer este aproveitamento político. Decorre um inquérito, pelo seu Governo [PS, com apoio de BE, PCP, PEV], com vista ao apuramento das circunstâncias ocorridas", criticou o deputado do PSD.


Antes, João Ramos tinha afirmado que "a origem destes problemas se funda numa só causa - durante quatro anos, o Governo PSD/CDS entendeu que o SNS deveria ser emagrecido".

"Foram anos de subfinanciamento e de desmantelamento do SNS, de desinvestimento e desvalorização dos profissionais de saúde. É verdade que este caminho começou a ser trilhado anteriormente, mas é também verdade que se intensificou drasticamente", disse.


O socialista António Sales defendeu que, agora, com o novo executivo liderado por António Costa, "abre-se novo período de esperança", pois, "em um mês e meio, o Governo reduziu taxas moderadoras, contratualizou com mais médicos diferenciados, introduziu mais consultas de especialidade nos centros de saúde, houve um reforço dos cuidados, nomeadamente na área da saúde oral".

"Pôr o dedo na ferida é apontar responsabilidades pelo estado da saúde em Portugal. A ação do Governo PSD/CDS baseou-se nos cortes cegos, encerramento de serviços, preocupação com os interesses privados e em empurrar os custos para o utente. Hoje, há de facto sinais de mudança", concordou o ecologista José Luís Ferreira.


O parlamentar bloquista Moisés Ferreira lamentou que PSD e CDS nada tenham feito perante diversos avisos da oposição e populações.

"Lançar um anátema sobre o SNS foram as políticas que provocaram rotura nestes serviços, reduzido orçamento atrás de orçamento. Os hospitais estão no limite da sua capacidade de resposta. Quem lançou o anátema foi quem os colocou neste limite de resposta", afirmou o deputado do BE, também em resposta ao social-democrata Miguel Santos.