O PCP chamou a atenção para a necessidade de os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) de exportações e importações serem lidos na sua "dimensão global", acrescentando que o endividamento tem vindo a subir.

"O que estes números confirmam, para além de variações desta ou daquela décima, é que com o aumento das importações a um ritmo superior das exportações se agrava o défice da balança comercial", vincou João Frazão, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.

O comunista falava à agência Lusa no dia em que se soube que as exportações de bens subiram 7,4% no segundo trimestre, face a igual período do ano passado, e as importações avançaram 9%.

O défice da balança comercial, por seu turno, aumentou 400,6 milhões de euros, "situando-se em 2.794,2 milhões de euros, tendo a taxa de cobertura baixado para 82,4%, ou seja, -1,2% pontos percentuais", refere também o INE.

A balança comercial e o seu défice confirmam o "agravamento da dependência e endividamento" de Portugal, sendo indispensável - diz o dirigente do PCP - haver uma política de substituição de importações por produtos nacionais.

"Os números do INE não podem ser lidos de acordo com a parte que nos interessa", acrescentou ainda, reclamando uma análise global não ofuscada por sinais positivos quando analisados individualmente, casos da subida das exportações de bens.

De acordo com os resultados globais preliminares, as exportações de bens portugueses cresceram 7,4% entre abril e junho, face ao período homólogo de 2014, para 13.078 milhões de euros, com as importações a subirem 9% para 15.872 milhões de euros.

Em junho, as exportações de bens cresceram 9% e as importações de bens aumentaram 5,4% em termos homólogos.

A subida das exportações em junho deveu-se "sobretudo ao comércio intra-UE [dentro da União Europeia] (generalizada à quase totalidade dos grupos de produtos, mas em especial nos veículos e outro material de transportes, plásticos e borrachas e outros produtos", explica o INE.