O PCP anunciou esta terça-feira a morte da militante Maria da Piedade Gomes, que foi casada com o dirigente comunista Joaquim Gomes e que, em 1964, foi alvo de uma campanha de solidariedade exigindo a sua libertação de Caxias.

Em comunicado, o secretariado do comité central do PCP refere que Maria da Piedade Gomes, que morreu aos 95 anos, “foi uma dedicada e corajosa militante comunista que desde muito jovem se entregou à luta em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo português, contra a ditadura fascista, pela liberdade, o socialismo e comunismo”.

Natural de Picassinos, concelho da Marinha Grande, com apenas 15 anos, viveu de perto a insurreição de 18 de janeiro de 1934, casando poucos anos depois com Joaquim Gomes (já falecido).

Maria da Piedade Gomes aderiu ao PCP com 21 anos e foi funcionária do partido desde 1952, “altura em que iniciou a vida clandestina, assim como o seu companheiro”.

“Em 1958, a casa clandestina em que se encontravam, no Porto, foi assaltada pela PIDE e ambos foram presos. Maria da Piedade Gomes foi julgada em março de 1961 e, sofrendo dois anos de condenação, acabou por passar seis anos na prisão fascista de Caxias, devido à aplicação sucessiva de ‘medidas de segurança’”, recorda o PCP.


Nesse período, lutou “contra as péssimas condições a que estavam sujeitas as presas políticas, o que a levou a ser alvo de frequentes castigos, incluindo o isolamento”, acrescenta.

Segundo o PCP, “viveu momentos graves no plano da sua saúde, ao ponto da sua vida correr perigo, o que motivou, em 1964, uma campanha nacional e internacional de solidariedade exigindo a sua libertação, que se concretizou através de um ‘habeas corpus’”.

Maria da Piedade Gomes foi libertada em setembro de 1964, mas voltou à clandestinidade quinze dias depois, até ao 25 de Abril de 1974.

O PCP sublinha que a vida de Maria da Piedade Gomes “constitui uma referência e um exemplo de mulher comunista que dedicou a vida à causa revolucionária do seu partido de sempre”.

O seu corpo estará em câmara ardente a partir das 18:00 de hoje na Casa Mortuária da Igreja de S. Francisco de Assis.

O funeral realiza-se quarta-feira, saindo às 16:45 para o cemitério dos Olivais, onde depois será a cremação.