O secretário-geral do PCP afirmou este domingo que as conversações com o Governo sobre o Orçamento para 2018 estão "no bom sentido", salientando que os comunistas recusam dramatizações e que negoceiam com frontalidade e sem posições rígidas.

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas a meio das Festas da Moita, no distrito de Setúbal, acompanhado por dezenas de apoiantes, entre eles o presidente da Câmara deste município, Rui Garcia, que se recandidata pela CDU ao cargo nas próximas eleições autárquicas de 01 de outubro.

Interrogado se as negociações com o Governo socialista para a elaboração da proposta de Orçamento do Estado para 2018 estão mais difíceis do que nos anos anteriores, o líder comunista respondeu imediatamente: "Eu não dramatizo".

Com a reserva natural inerente a estas reuniões, posso informar que, neste momento, o diálogo e as conversas vão no bom sentido. Não serão fáceis como não foram em relação a orçamentos anteriores, mas estamos profundamente convictos que, se existir compreensão política da opção de se dar mais confiança aos trabalhadores e ao povo português, não é só o Governo que ganha com isso, mas também o país", sustentou Jerónimo de Sousa.

De acordo com o secretário-geral do PCP, os comunistas estão nas conversações "com grande frontalidade, sem nenhuma posição rígida, dialogando, negociando e propondo".

O produto final [das negociações do Orçamento] logo se verá, mas não dramatizo as coisas ao ponto de dizer que existe uma crispação muito grande e que não é possível. Pelo contrário, entendo que é possível repor direitos e rendimentos ao povo português", declarou Jerónimo de Sousa.

Ainda sobre as negociações em torno da proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, o secretário-geral do PCP referiu que se está ainda "numa fase de exame comum".

"Estamos a trabalhar em grandes questões orçamentais, ainda não existe uma proposta concreta e aquilo que nos anima é a ideia de que o povo português espera continuar esta política de rendimentos e direitos, tendo em vista uma vida melhor", disse.

Perante os jornalistas, Jerónimo de Sousa recorreu depois ao "argumento" já usado pelo Governo "de que foi a reposição dos direitos e dos rendimentos que permitiu o crescimento económico, tendo em conta o aumento do consumo interno".

"Seria por isso incompreensível e negativo se esse caminho fosse interrompido e houvesse qualquer paralisação ou recuo", advertiu.

Sobre a revisão dos escalões do IRS - uma das matérias centrais na negociação do Orçamento -, o secretário-geral do PCP defendeu que o seu partido tem "uma proposta clara de aliviar a carga fiscal sobre quem tem mais baixos rendimentos, aumentando-se o número de escalões".

"A nossa proposta está colocada nesse exame comum [do Orçamento]. Consideramos que a nossa proposta tem pés para andar", advogou, embora recusando entrar em detalhes sobre os valores em causa na negociação.

Além de um novo aumento de dez euros das pensões, no quadro do próximo Orçamento os comunistas colocam também como prioridade o descongelamento das carreiras dos trabalhadores da administração pública.

Questionado se o PCP aceita que esse descongelamento das carreiras se faça de forma faseada, o secretário-geral comunista lembrou que a medida já está inscrita no Orçamento do Estado de 2017.

"Resta efetivar. Em relação aos montantes e ao universo [de trabalhadores a abranger], há uma componente que é insubstituível: o conjunto das organizações sindicais, que têm de iniciar um processo de negociações" com o Governo, apontou.

Ou seja, segundo Jerónimo de Sousa, "ninguém pode substituir esse diálogo e essa negociação" por parte das organizações sindicais.

Nesse sentido - acrescentou Jerónimo de Sousa - "o PCP acompanhará o desenvolvimento dessa fase negocial, mas há que acabar com esse congelamento das carreiras" dos trabalhadores da administração pública.