Jerónimo de Sousa considerou, esta quarta-feira, «interessante» a declaração do líder do PS, que recusou «arranjinhos» para «prosseguir as mesmas políticas» de austeridade. O secretário-geral do PCP prometeu, nessa reação, apresentar as «grandes linhas programáticas» comunistas em maio.

«A afirmação é interessante. Resta saber o que o PS propõe para uma política alternativa e evitar esses 'arranjinhos'»


Jerónimo de Sousa falava depois de um encontro com membros da Organização dos Trabalhadores Científicos na sede comunista da rua Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa. E quis recordar a responsabilidade governativa do Partido Socialista no passado:

«Em termos de substância, daquilo que é fundamental e estratégico para o país, é preciso lembrar que o PS tem responsabilidades em governos anteriores por uma política, designadamente em relação à área da ciência e da tecnologia, que conduziu a esta situação dos bolseiros, em vez de uma carreira definida por estágio, formação e inclusão numa carreira harmoniosa e evolutiva. O PS abriu a porta e o Governo PSD/CDS arrombou-a»



Questionado sobre o programa eleitoral do PCP e com a data anunciada por Costa para apresentação de documento semelhante por parte do PS (6 de junho), Jerónimo de Sousa declarou que,«pelo menos as grandes linhas programáticas, já com sustentabilidade e algum desenvolvimento, serão apresentadas antes».

«Pensamos anunciar, talvez em maio, as grandes linhas de orientação programática, independentemente de depois, mais à frente, apresentarmos o programa em si mesmo», disse, esclarecendo que as medidas com que o PCP vai concorrer às legislativas têm vindo a estar «em construção», através de numerosos «encontros» com diversas entidades, para uma «política alternativa patriótica e de esquerda».

O secretário-geral do PCP voltou ainda a lamentar afirmações recentes do primeiro-ministro, Passos Coelho, em visita ao Japão, prevendo que Portugal venha a ser um dos países mais competitivos do mundo.

«Verifica-se um subfinanciamento sistemático. Na cabeça do primeiro-ministro está uma solução de competitividade assente em baixos salários e trabalho sem direitos, afirmou, defendendo a necessidade de apoio ao investimento na ciência e na tecnologia contra «o empobrecimento geral do país».